COLUNA ILCA MARIA ESTEVÃO
Lacoste transforma bola de tênis em salto
Etiqueta francesa rompe com o padrão estabelecido e aposta em uma moda mais lúdica e criativa
No emblemático complexo esportivo Roland Garros, na França, a Lacoste levou às passarelas os códigos que ajudaram a construir sua identidade. Apresentada durante a Semana de Moda de Paris, a coleção Primavera/Verão 2027 revisita a relação histórica da grife com o tênis, mas encontra novas maneiras de explorar esse universo. Entre as criações que mais chamaram a atenção, está um calçado que transforma uma bola de tênis em salto. Vem comigo saber mais!
Salto em formato de bola
Batizado de ACE-T1, o calçado incorpora a bolinha de tênis à sua estrutura como uma espécie de salto anabela. O cabedal vazado faz referência ao movimento de uma rede quando atingida por um objeto. Outro item que gerou repercussão nas mídias foi um scarpin de amarração e salto fino, que também simula uma rede de tênis.
Apresentados em diferentes versões e cores, os calçados estiveram entre os itens que mais se destacaram na coleção. À primeira vista, eles podem parecer apenas uma aposta inusitada da grife. Porém, quando analisada em conjunto com toda a proposta da coleção, a escolha ganha outro significado.
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Ao transformar um dos elementos mais reconhecíveis do esporte em parte da construção de um sapato, a Lacoste abre espaço para uma linguagem menos convencional.
Intitulada Dress Code: No White Required, a coleção aposta na ideia de flexibilizar algumas das regras associadas ao tradicional vestuário do tênis. Segundo a própria marca, a diretora criativa, Pelagia Kolotouros, buscou “libertar os códigos do estilo preppy da rigidez e das convenções”, ao investir em estruturas suaves, alfaiataria desconstruída e tecidos técnicos projetados para facilitar o movimento.
A declaração ajuda a entender a mudança apresentada na passarela, onde a Lacoste conseguiu unir a tradição esportiva a elementos mais lúdicos, criativos e até mesmo sensuais.
A quadra feita de passarela
O desfile ocupou a quadra central Philippe-Chatrier, em Roland Garros, com o saibro como o principal elemento visual da apresentação. A terra batida, que comumente deixa marcas nas roupas dos atletas durante o jogo, também inspirou a coleção e apareceu nas peças indicando uma partida recém-terminada.
O marrom, tão presente na rotina dos tenistas, dividiu espaço com verde, laranja, azul, amarelo e prateado. Até mesmo o branco ganha outra interpretação: em vez de aparecer sempre impecável, surge marcado pela terra e pelo suor.
A camisa polo, peça criada por René Lacoste e transformada em um dos maiores símbolos da grife, também passa por uma releitura: nesta temporada, ganha novas proporções e aparece em versões mais curtas e ajustadas, quebrando o estilo preppy.
Elementos que remetem às bolas de tênis aparecem em diferentes criações, enquanto algumas peças trazem a inscrição “217 km/h”, em referência à velocidade do saque de Novak Djokovic, que inspira parte da coleção.