Impacto
Fazenda vê impacto limitado da nova tarifa de 25% dos EUA
Impacto
O Ministério da Fazenda avalia que a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deverá ter impacto macroeconômico limitado. De acordo com a pasta, as exportações nacionais demonstraram resiliência após o tarifaço aplicado em agosto do ano passado e vêm apresentando recuperação gradual desde novembro.
Redirecionamento
Segundo análise da Secretaria de Política Econômica (SPE), publicada no Boletim MacroFiscal, os Estados Unidos responderam por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, o equivalente a menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) antes do choque tarifário. A pasta destaca que o redirecionamento das vendas para outros mercados compensou parte significativa das perdas, reduzindo os efeitos sobre a atividade econômica.
Exceções
A Fazenda ressalta ainda que as medidas adotadas pelos Estados Unidos preveem exceções para diversos produtos, o que tende a manter o impacto agregado em níveis modestos. Também contribuem para esse cenário as ações implementadas pelo governo brasileiro no ano passado, voltadas à ampliação do crédito, da liquidez e da diversificação de mercados para os setores mais afetados.
Assimilação
Apesar da avaliação do governo, os efeitos das tarifas ainda estão sendo absorvidos pelos segmentos que não foram contemplados pelas isenções. Muitos deles estruturaram suas cadeias produtivas em torno do mercado norte-americano, caso dos setores de metais, madeira e diversas indústrias de transformação.
Exportação
Para o especialista em comércio internacional Welber Barral, alguns segmentos enfrentam maior dificuldade de adaptação. “No setor de café solúvel, 50% da exportação brasileira era destinada aos Estados Unidos. As empresas ampliaram as vendas para outros mercados, mas a dependência ainda era muito elevada. Situação semelhante ocorre com aço, alumínio e cobre”, afirma.
Diversificação
Barral observa que a diversificação de mercados exige tempo. Segundo ele, os Estados Unidos foram, durante décadas, um dos principais compradores de produtos brasileiros, o que dificulta mudanças rápidas. No setor calçadista, embora o mercado americano não represente o principal destino das exportações do segmento, algumas empresas mantêm forte dependência daquele país.
Barreiras
As restrições comerciais também afetam empresas norte-americanas. Gigantes como Coca-Cola e Tesla já sinalizaram que não é simples substituir produtos brasileiros, como café, suco de laranja e metais raros, adquiridos anteriormente com tarifas mais baixas. Com isso, parte do custo tende a ser repassada ao consumidor dos Estados Unidos.
Inflação oficial
O governo elevou, nesta quarta-feira (15), a projeção da inflação oficial para 2026, de 4,5% para 5,1%, diante da persistência da alta dos alimentos e dos reflexos do conflito no Oriente Médio sobre a economia mundial. Com a revisão, a estimativa supera o teto da meta de inflação.