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“Aumento de capital n�o garante recursos”

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São Paulo, SP ? Saudada pelo presidente Lula como a maior ?capitalização da história da humanidade?, o aumento de capital da Petrobras não representa garantia de recursos para todos os projetos prioritários da empresa, como a exploração da camada do pré-sal. A afirmação é do consultor David Zylbersztajn, que de 1998 a 2001 foi diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Para ele, houve politização do processo, com risco para o acionista minoritário que comprou mais ações. Zylbersztajn também criticou o aumento de participação do Estado na empresa. ?Houve desvio de recursos públicos que poderiam ter sido usados em outras áreas?, disse. *** Que avaliação o senhor faz do processo de capitalização da Petrobras? Houve politização do tema? David Zylbersztajn - Essa politização não vem de agora. Começou já na aprovação do novo marco regulatório do setor. Foi tudo feito de forma corrida. A primeira lei do petróleo passou quase dois anos sendo discutida no Congresso, num processo bastante elaborado e transparente. Já a nova legislação ficou dois anos sendo discutida dentro do governo Lula e só alguns meses no Congresso. Isso, evidentemente, gerou algumas dúvidas e incertezas. Quais dúvidas e incertezas? Essas dúvidas estão associadas, por exemplo, ao desenvolvimento que ainda precisa ser feito para a exploração do pré-sal. Como a Petrobras fará para superar a questão tecnológica e logística. Outro ponto é como o investidor vai reagir, daqui para frente, a uma empresa com participação cada vez maior do governo. Independentemente de quem seja o presidente, sempre haverá incertezas sobre influência política e ideológica na gestão da companhia.

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