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Lula mant�m Cesare Battisti no Brasil

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Brasília, DF ? No último dia de seu governo, o presidente Lula negou a extradição do terrorista italiano Cesare Battisti e abriu uma nova crise diplomática com a Itália. Ao anunciar que Battisti ficará no Brasil com o status de imigrante, e não como refugiado ou asilado, o presidente argumentou que o italiano, caso volte ao seu país, poderá sofrer perseguição por ?opinião política, condição social ou pessoal?. O ato causou revolta na Itália. O embaixador italiano em Brasília, Gherardo La Francesca, foi convocado a Roma para tratar do caso. Na linguagem diplomática, a convocação é considerada um ato de protesto. O advogado que representa o governo italiano, Nabor Bulhões, afirmou que o presidente Lula cometeu ?crime de responsabilidade? ao manter o italiano no Brasil. ?Ele descumpriu leis e decisões judiciais, por isso o ato foi praticado no apagar das luzes do governo?, disse. Já o advogado de Battisti, Luís Roberto Barroso, afirmou que Lula manteve a ?tradição humanista e sua altivez diante de pressões feitas em tom inapropriado pelo governo italiano?. Governo acha nota ?acima do tom? | TÂNIA MONTEIRO - Folhapress Brasília, DF ? O governo brasileiro não gostou dos termos da nota assinada pela presidência do conselho dos ministros da Itália, que ontem afirmou que se Cesare Battisti não fosse extraditado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria que explicar a decisão às famílias das vítimas do ex-extremista. Segundo um ministro consultado pela Agência Estado, o governo Lula considerou a nota ?acima do tom?, até porque o governo italiano havia sido informado da intenção do presidente brasileiro. Da mesma forma, o Brasil já sabia que o governo italiano, por meio do ministro da Defesa, Ignazio La Russa, iria protestar contra a decisão de Lula. Na avaliação do governo brasileiro, o primeiro ministro Silvio Berlusconi, que está em situação delicada politicamente no País, precisa destes protestos para acalmar parte do eleitorado italiano. Por isso mesmo, apesar de novas ameaças, o governo Lula não acredita que elas ocorrerão, de fato.

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