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Rio de Janeiro come�a a enterrar mortos
Rio de Janeiro, RJ ? A tragédia que se abateu sobre as cidades da Região Serrana já atinge um recorde sinistro, enquanto os municípios seguem contando seus mortos: o de maior catástrofe natural já ocorrida no Estado, se dimensionada pelo número de óbitos. Para o professor de Geotecnia da Coppe/UFRJ Willy Lacerda, esta também é a maior da história recente do Brasil. O total de mortes chegava a 506 até o fechamento desta edição, sendo 225 em Nova Friburgo, 223 em Teresópolis, 39 em Petrópolis e 19 em Sumidouro, de acordo com o IML. A quantidade de vítimas supera a de outras tragédias emblemáticas da história do Rio provocadas por enchentes e deslizamentos, como as de 1966 (acima de 200 mortos), 1967 (200 óbitos), 1988 (277 mortos), 1996 (65) e 2010 (316). Cidade com o maior número de mortos, Nova Friburgo mostrava ontem um cenário desolador. Desastre é maior deslizamento da história do País, diz ONU | JAMIL CHADE - Agência Estado Genebra, Suíça ? O drama que assola a região serrana do Rio de Janeiro já é o maior deslizamento de terra e o segundo maior desastre natural da história do País de que se tem registro internacional. A tragédia também pode entrar para a lista os dez deslizamentos mais mortais no planeta em 111 anos. Pelos registros mantidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), o deslizamento é ainda o segundo maior no mundo em um ano e o 4º maior da década em todo o planeta. Os dados fazem parte do banco de estatísticas do Centro para a Pesquisa da Epidemiologia de Desastres, entidade com sede na Bélgica e que serve de base para os números oficiais usados pela ONU para avaliar respostas a desastres naturais pelo mundo. Para os especialistas da entidade, tida como uma das mais importantes do mundo, esse problema dos deslizamentos já vem sendo registrado no Brasil há anos e a falta de vontade política e investimentos é a principal responsável pelas mortes. Dilma: ?Situação é dramática? | AGÊNCIA O GLOBO Rio de Janeiro, RJ ? A presidente Dilma Rousseff respondeu com rapidez diante da tragédia indo pessoamente à Região Serrana 48 horas depois da devastação. Em junho de 2010, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por visitar municípios do Recife e de Alagoas, no Nordeste, uma semana após as chuvas. Mais de 50 pessoas morreram na ocasião. No desastre causado pelas águas em novembro de 2008 em Santa Catarina, Lula sobrevoou os locais atingidos pela chuva, que deixou mais de 100 mortos na região. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também enfrentou uma crise em decorrência de enchentes na Região Sudeste em janeiro de 2000. De helicóptero, FHC observou as áreas atingidas nos municípios de Engenheiro Passos, no Rio, e Itajubá, em Minas Gerais. Presidente anuncia que vai reconstruir as cidades do Rio Dilma afirmou que o governo federal tem conseguido acelerar os repasses de recursos em caso de calamidades. ?É uma dupla exigência. De um lado você tem que prestar conta do recurso público que você gere, de outro lado, diante de calamidades,você tem que ser extremamente ágil. Primeiro nós liberamos vários recursos fundo a fundo. Ou seja, sai do Tesouro Nacional e vai diretamente para as prefeituras. O segundo movimento é que, para calamidades, até 50% dos recursos podem ser antecipados. Agora a prestação de contas é absolutamente um requisito legal. O governo federal consegue acelerar o repasse mas permanece a obrigação de prestação de contas?. Dilma afirmou que, após o resgate das vítimas, o governo federal vai participar da reconstrução das áreas atingidas. Ela disse que a ocupação de áreas de risco é uma regra, e não a exceção no Brasil, e ressaltou que os governos federal, estadual e as prefeituras têm responsabilidades. Resgate com uma corda emociona País | AGÊNCIA O GLOBO Rio de Janeiro, RJ ? Em meio à dor pelas mortes e às perdas causadas pelas chuvas, surgem exemplos de solidariedade de pessoas anônimas e de profissionais das equipes de resgate, que arriscaram suas vidas para ajudar a salvar desconhecidos. Um dos casos mais emocionantes aconteceu em São José do Vale do Rio Preto, onde a dona de casa Ilair Pereira de Souza, de 53 anos, foi resgatada pelo vizinho Daniel Lopes com a ajuda de uma corda. Abrigada na casa do irmão com dois cachorros, ela precisou deixar o local depois que as águas invadiram a residência, e se agarrou, com um dos cães, de nome Beethoven, à corda lançada por vizinhos. Ao içar Ilair, o herói Daniel acabou ferindo os pés. Graças ao esforço coletivo dos moradores, dona Ilair foi erguida para o alto de um prédio ? uma altura de 10 metros ?, mas o cãozinho foi levado pela correnteza. O animal ainda tentou se agarrar ao braço de Ilair com os dentes. As imagens do resgate dramático chegaram a ser exibidas pela rede de TV norte-americana CNN. Músico resgata família com um helicóptero | FOLHAPRESS O músico George Israel, da banda Kid Abelha, alugou um helicóptero para resgatar os filhos que ficaram ilhados anteontem, numa casa em que passavam férias em Teresópolis, uma das cidades mais afetadas pela chuva na região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Além dos dois filhos, de 11 e 15 anos, havia outras quatro crianças e a cunhada no músico na casa, que fica no condomínio Fazenda da Paz, no bairro da Posse. Com a chuva, as estradas de acesso ao local foram destruídas, e não havia luz nem telefone. ?Começamos a ligar para a Defesa Civil, mas ninguém atendia. Meus filhos tinham apenas um telefone celular, com a bateria acabando?, disse o músico, que toca saxofone na banda comandada por Paula Toller. Pela manhã, ele contratou um helicóptero que fez o resgate. Ninguém ficou ferido.