Nacional
Cen�rio � de guerra, diz sobrevivente
Rio de Janeiro, RJ ? Racionamento de combustíveis. Filas e desabastecimento. Comunicação e energia precárias. Trânsito desorientado. Boatos e pânico. Corpos na lama e cheiro de putrefação. Medo e êxodo. Este é o cotidiano dos moradores dos municípios da Região Serrana, três dias após a tragédia das chuvas que deixaram mais de 500 mortos desde terça-feira. Número que pode dobrar, segundo moradores, que relatam desmoronamentos em áreas isoladas. Estimativas do governo apontam de 2 a 3 anos o prazo para a recomposição econômica das cidades atingidas pela tragédia causada pelas chuvas. ?Um cenário de guerra, sem guerra?, resumiu a escritora Luiza Pinheiro, 48 anos, ao descrever ontem como ficou seu bairro, o Imbuí, em Teresópolis. Ela conta que, por ?milagre?, sua casa no Condomínio Camote permaneceu de pé, enquanto a maior parte das residências vizinhas foi destroçada pela violência da enxurrada da madrugada de quarta-feira. Segundo ela, corpos jazem à beira dos rios e das estradas da região, e, pelo sítio vizinho ao condomínio, uma rota de fuga foi improvisada, com troncos de árvores, sobre o rio. A fila indiana de desabrigados, levando crianças nos braços ou enormes sacolas com o pouco que lhes sobrou, lembra um êxodo de guerra.