Nacional
Militar deve revelar destino de Beto
Rio de Janeiro, RJ ? Em poucas frases, doutor Ubirajara destila o azedume. Para não revelar o que sabe, alega que está morrendo, vencido por uma moléstia grave. Reclama de um suposto dedo-duro, prometendo ?rezar por ele, pela maldade que fez? ao delatar o seu paradeiro. E arremata a conversa com sarcasmo: ?Se alguém atirar em mim, estará me fazendo um favor?. Aos 74 anos, os cinco últimos dedicados a enfrentar um câncer de próstata, o ex-sargento do Exército e advogado Ubirajara Ribeiro de Souza rechaça, agoniado, tem a chance de revelar um segredo que carrega há quatro décadas: o destino de Carlos Alberto Soares de Freitas, o Beto, amigo e ex-comandante de Dilma Rousseff nos tempos em que a presidente da República era militante da VAR-Palmares, organização da luta armada atuante no início dos anos 1970. Ex-sargento era terror nos anos da barbárie Inês Etienne, ao descrever os 15 carcereiros responsáveis pelos suplícios que sofreu em Petrópolis, de maio a agosto de 1971, impressiona pelo rigor dos detalhes, dos nomes, das características físicas. De sua memória, o sargento Ubirajara é revelado para a História: ?Alto, mais de 1,90 metro, mineiro, preto, ex-jogador da seleção mineira de basquete, ocasião em que era sargento do Exército?. A descrição é precisa. Anos antes da barbárie, os ombros largos, braços fortes e quase dois metros de altura davam a Ubirajara, o Bira das quadras, o inevitável apelido de ?guarda-costas? dos colegas do Ginástico Esporte Clube e da seleção mineira dos anos 60. Nos jogos regionais de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, um desentendimento entre jogadores do Ginástico e do time adversário transformou-se em briga generalizada. O principal protagonista da ocasião, ninguém esquece: ?Pô, vai querer mesmo encarar o Birinha??, dizia Ubirajara aos adversários, arreganhando os dentes e dissipando qualquer indisposição entre os atletas.