Nacional
Corte de gastos emperra o Minha Casa
São Paulo, SP ? Uma das bandeiras de campanha da presidente Dilma Rousseff, o programa Minha Casa, Minha Vida, está parcialmente estagnado desde o início do ano. Até agora, nenhum projeto para famílias que recebem até três salários mínimos (nível mais econômico do programa) foi assinado com a Caixa Econômica Federal ? um reflexo direto do contingenciamento de gastos do governo. ?O primeiro e mais importante motivo é um só: faltou dinheiro?, diz Paulo Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). ?No ano passado, os contratos de zero a três salários superaram a meta e isso absorveu boa parte da verba para o primeiro semestre.? A primeira etapa previa a contratação de 400 mil apartamentos nesse segmento e acabou fechando o ano com 495 mil. Programa será retomado em julho | Edna Simão - Naiana Oscar / Agência Estado A Caixa Econômica Federal só vai retomar o Programa Minha Casa, Minha Vida para famílias com renda de até R$ 1.395 no próximo semestre. Segundo nota divulgada na última terça-feira (29) pela instituição, o principal programa habitacional do governo ?está em fase de adequação de orçamento e procedimentos operacionais?. O problema, no entanto, é que a segunda fase do ?Minha Casa? precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional. Segundo uma fonte ouvida pelo Grupo Estado, a expectativa é de que a medida provisória que trata do assunto seja aprovada neste mês de abril. Só então, o governo poderá fazer o reajuste do valor do imóvel pago às construtoras. Para amenizar as perdas causadas pelo atraso, grandes construtoras que se dedicam à baixa renda estão diversificando o portfólio e antecipando lançamentos de imóveis mais sofisticados. É o caso da Direcional Engenharia ? empresa mineira que concentrou 30% dos empreendimentos no ano passado no chamado ?segmento de zero a três?.