Nacional
Desgaste do governo derruba Palocci
Brasília, DF ? A presidente Dilma Rousseff decidiu demitir seu principal auxiliar, ministro da Casa Civil Antonio Palocci, após ser informada que pesquisas já apontavam desgaste do governo por conta da crise envolvendo aquele que foi um dos responsáveis pela arrecadação para sua campanha. Ela confidenciou a assessores que não podia deixar uma crise pessoal contaminar e paralisar seu governo ? como vinha ocorrendo nos últimos 24 dias, desde que a Folha de S.Paulo publicou sua primeira reportagem sobre os negócios da empresa de consultoria de Palocci, a Projeto. A situação do ex-chefe da Casa Civil piorou após o jornal revelar que a empresa faturou R$ 20 milhões apenas em 2010, ano eleitoral. Metade desse valor foi obtida pela Projeto nos últimos dois meses do ano passado, quando Palocci era o chefe da equipe de transição. Ao lado dela, comandou a nomeação de cargos e a formação do ministério dilmista. Dilma acertara os termos da demissão anteontem. Diante da avaliação de que a saída era inevitável, reuniu-se ontem mais uma vez com Palocci por 40 minutos. Em seguida, ambos desceram juntos para um evento no Planalto. Palocci estava sorridente e Dilma aparentava tranquilidade. Ela já estava decidida a demiti-lo desde o dia anterior, quando sondou Gleisi Hoffmann pela primeira vez. ?Maldição? já derrubou três petistas | BERNARDO MELLO FRANCO - Folhapress Brasília, DF ? Novata em Brasília, a nova ministra Gleisi Hoffman vai trocar o conforto do Senado pelo cargo mais instável da República na era petista, inaugurada em 2003. Desde a posse de Lula, três políticos deixaram a Casa Civil sob suspeitas de corrupção ou tráfico de influência. A única sobrevivente foi Dilma Rousseff, premiada com a candidatura vitoriosa à Presidência no ano passado. A maldição começou a assombrar a Casa Civil durante o reinado de José Dirceu. Enfraquecido em 2004 pelo caso Waldomiro Diniz, assessor acusado de pedir propina a bicheiros, ele resistiu no posto até o ano seguinte. Caiu no escândalo do mensalão, após o então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) apontá-lo, em entrevista à Folha de S.Paulo, como chefe de um esquema de compra de apoio parlamentar.