loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
domingo, 02/08/2026 | Ano | Nº 6280
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Nacional

Nacional

Nem, o terror das favelas do Rio de Janeiro

Ouvir
Compartilhar

Rio de Janeiro, RJ ? Com ordens de execuções, espancamentos e lei do silêncio, o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, impôs aos moradores das favelas da Rocinha, do Vidigal e da Chácara do Céu longos seis anos de terror. Aos 35 anos, o bandido, até ser capturado, usava métodos semelhantes aos de chefões da máfia italiana que passamos a conhecer no cinema: dava um valor enorme à família ? diz ter entrado no crime para pagar o tratamento da filha que sofria de uma doença óssea rara ?, falava poucas gírias e palavrões e evitava pegar em armas. Mas era ele quem garantia o arsenal da quadrilha e dava a palavra final no tribunal do tráfico. Manteve-se assim, encobrindo sua face violenta com discrição e presentes que dava aos moradores, e pagando um mensalão a policiais da banda podre que, segundo declarou à Polícia Federal, chegava à metade do que arrecadava, R$ 500 mil. Bandido era vaidoso com mulheres A vida pessoal também era pretexto para seu exercício de poder. Vaidoso, exibia, com boas roupas e coberta de ouro, sua preferida, Danúbia Rangel, uma loura cheia de curvas, de 25 anos, que circulava pelas vielas da favela de moto e gostava de se exibir em bailes funks. Bailes patrocinados por ele, diga-se de passagem. Mas bastava alguém ousar olhar duas vezes para sua mulher que o ?mestre? mandava dar um ?pau? no incauto. Ou nela mesma. Segundo policiais federais, o império das drogas de Nem foi mantido ainda com matanças de traidores e opositores, expulsando moradores da favela e ordenando espancamentos públicos para punir detratores e pequenos transgressores flagrados agindo nas favelas sob seu domínio. ?Para manter seus negócios, ele atuava em três frentes: pagava propina alta à banda podre da polícia para manter seus negócios ilícitos, mandava matar inimigos e investia no assistencialismo. AW E CR ? Escutas comprovam perversidade Diálogos captados em escutas telefônicas, feitas quando Nem ainda não tinha chegado ao topo do tráfico na Rocinha, comprovam que o traficante sempre foi implacável. Em processo que corre na 33ª Vara Criminal, um bandido conhecido como ?Peteleco? presta contas a Nem de como tratou um inimigo da facção rival do Jacaré e da Providência que teria sido torturado no Vidigal e depois executado em 2006. ?Tá com um cabo na b. Quebraram ele (mataram)?. O delegado Victor Hugo Poubel, da Polícia Federal do Rio, coordenou as operações federais que levaram as prisões dos traficantes Alexander Mendes da Silva, o Polegar (localizado em Pedro Juan Caballero, no Paraguai), de Nem e de outras seis pessoas, entre elas os traficantes Sandro Luiz de Paula Amorim, o Peixe, e seu sócio Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, chefes do tráfico no Complexo do São Carlos. Operações consideradas fundamentais para o sucesso da entrada, sem resistência, das forças de segurança nas três comunidades da Zona Sul. Crianças tentam entender mudanças Rio de Janeiro, RJ ? Um bandido tem chifres de diabo e outro, com olhos vidrados, empunha uma arma que tanto pode ser uma metralhadora quanto um fuzil. Perto, mais um traficante está drogado e fuma um cigarro de maconha enquanto lê uma revista com fotos de mulheres nuas. Sacos de dinheiro e outras armas também enchem a folha de papel de fundo branco. Toda a cena, que poderia ser a descrição de uma ?boca? da Rocinha, foi desenhada por um aluno de apenas 10 anos da Escola Municipal Paula Brito, que fica na Rua Dionéia, na comunidade, entre São Conrado e Gávea. Os traços dão vazão a antigas emoções e também às novas expectativas depois da ocupação policial. O desenho é um dos muitos feitos por estudantes que, após a retomada da favela, chegaram à escola cheios de curiosidade e receios. Os professores, então, resolveram enfrentar o tema, que foi debatido em sala de aula e depois sugeriram que as impressões virassem arte. ?Eles não queriam falar de outra coisa quando chegaram na escola. O único assunto era a pacificação. O exercício proposto pela coordenação pedagógica visava, ao mesmo tempo, permitir que os alunos se expressassem com liberdade e e assimilassem melhor a nova realidade?, explica a diretora da Escola Municipal Paula Brito, Odaísa Pardal, que está na Rocinha desde o ano 2000. Poder público deve levar mais serviços ROGÉRIO DAFLON - AGÊNCIA O GLOBO Rio de Janeiro, RJ ? Presidente do Instituto Pereira Passos (IPP) e responsável pela UPP Social, programa da prefeitura, o economista Ricardo Henriques diz que há medidas urgentes a serem tomadas na Rocinha. Uma delas é o poder público ir às áreas onde as famílias estão em situação de vulnerabilidade. ?Fizemos uma reunião com a participação do prefeito Eduardo Paes e todos os secretários na última quarta-feira, na qual ficou decidido que haveria uma busca ativa nas áreas mais distantes. Trata-se de lugares aonde os serviços públicos tinham maior dificuldade de chegar, devido à presença do tráfico de drogas armado. São localidades como Laboriaux, Macega, Roupa Suja, Divineia e Vila Verde?, disse ele, ressaltando que nelas é urgente fazer trabalhos de assistência social, como o cadastro de famílias no Cartão Família Carioca e no Bolsa Família.

Relacionadas