Nacional
Marighella recebe homenagens
São Paulo, SP ? Considerado inimigo público número um da ditadura militar, o guerrilheiro Carlos Marighella será homenageado amanhã, dia do centenário de seu nascimento, pela Comissão de Anistia. A família dele receberá, em Salvador, cidade natal do ex-líder da Ação Libertadora Nacional (ALN) , o pedido formal de desculpas do Estado brasileiro por causa da perseguição política que sofreu ao longo de toda a vida. Entre parentes e ex-companheiros, o evento, em que será concedida a anistia política ao guerrilheiro, é visto como símbolo de resgate de sua figura. ?Pode fazer com que novas gerações se interessem em conhecer a importância do Marighella ao País?, diz Clara Charf, viúva do líder da ALN. ?É o coroamento de 40 anos de luta para fazer com que o País conheça uma figura que viveu condenada a um silêncio total por todo esse período?, afirma Carlos Augusto Marighella, filho do guerrilheiro com Elza Sento Sé. Para Carlos Augusto, a ditadura militar teve a preocupação de destruir a imagem de seu pai. PCB do Rio vai entregar medalha para a família No evento em homenagem a Carlos Marighella previsto para o dia 15 no Rio de Janeiro, o PCB, partido com o qual o guerrilheiro rompeu em 1967 por defender a adoção do confronto armado contra a ditadura, vai entregar a medalha Dinarco Reis à família dele. ?Nós nos orgulhamos de ter tido Marighella em nossos quadros?, diz Ivan Pinheiro, secretário-geral. Durante o Estado Novo, Marighella ficou preso entre 1939 e 1945 por causa da militância no PCB. Antes da implantação do Estado Novo, mas já no governo Getulio Vargas, havia sido preso outras duas vezes. Anistiado, foi eleito deputado federal constituinte em 1945. Em 1948, no governo Eurico Gaspar Dutra, os comunistas foram cassados e ele voltou à clandestinidade.