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Nº 5718
Nacional

Rio: amea�a de traficantes fecha com�rcio e bancos em 36 bairros

Rio – A seis dias da eleição, uma onda de ameaças e boatos atribuída a traficantes de drogas provocou o fechamento do comércio, de escolas e de agências bancárias em pelo menos 36 bairros de todas as regiões do Rio  –incluindo Ipanema e Botafogo, na zona

Por | Edição do dia 01/10/2002 - Matéria atualizada em 01/10/2002 às 00h00

Rio – A seis dias da eleição, uma onda de ameaças e boatos atribuída a traficantes de drogas provocou o fechamento do comércio, de escolas e de agências bancárias em pelo menos 36 bairros de todas as regiões do Rio  –incluindo Ipanema e Botafogo, na zona sul, Rio Comprido, Tijuca e o entorno de várias favelas da zona norte, como o complexo do Alemão. Quatro bombas de fabricação caseira explodiram na rua do Bispo, onde fica o campus Túnel Rebouças, no Rio Comprido (zona norte do Rio) da Universidade Estácio de Sá, levando pânico aos estudantes. Ninguém ficou ferido. Por medo de novos ataques, a diretoria decidiu fechar a unidade, deixando cerca de 5.000 estudantes sem aula. Colégios também fecharam. A maioria das escolas não sofreu ameaças diretas, mas suspendeu as aulas por precaução e por causa da ansiedade dos pais, como ocorreu no Teresiano (Gávea), no Santo Inácio (Botafogo) e no federal Pedro 2º (Engenho Novo, zona norte). Em bairros de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Caxias e Belford Roxo, cidades na região metropolitana do Estado, o comércio também fechou. No fim da tarde, 19 acusados de espalhar boatos tinham sido presos. Segundo a polícia, as ameaças ao comércio podem ter sido uma reação do tráfico à prisão de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, líder do CV (Comando Vermelho), há 12 dias, e ao isolamento dos principais chefes da facção no Batalhão de Choque da Polícia Militar desde que foram transferidos de Bangu 1. Movimento político Sem ser explícita, a governadora Benedita da Silva (PT) apresentou uma outra hipótese. Ela insinuou que o movimento pode ter sido resultado de uma orquestração política para prejudicá-la na eleição de domingo. A PF (Polícia Federal) informou que a Delegacia de Ordem Política estuda a possibilidade de instauração de um inquérito, caso tenha ocorrido um crime de atribuição da PF. As ameaças começaram no início da manhã. Segundo comerciantes, a maioria delas foi feita por jovens em motos ou a pé, alguns encapuzados e armados. Diziam que a ordem partira de traficantes do CV. Em Copacabana, um dos bairros mais afetados pela onda de terror, foram registradas ameaças por bilhetes entregues por adolescentes. Em Bonsucesso (zona norte), elas vieram por chamadas telefônicas e por homens de bicicleta. No Rocha (zona norte), as ordens foram dadas por homens num Opala preto. No Caxambi (zona norte), um comerciante contou que traficantes estavam anotando o endereço de todas as lojas que abriam, para incendiá-las depois. Em São Gonçalo, foi distribuído um panfleto em que o CV mandava fechar o comércio e ameaçava os que desafiassem a ordem com a inscrição “vai ter bala”.

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