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Reforma n�o tinha projeto nem engenheiro

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Rio de Janeiro, RJ ? Quase três dias depois do desabamento de três prédios no Centro do Rio, tragédia que deixou 15 mortos, seis feridos e sete desaparecidos, o jogo de empurra entra em cena. Representantes da administração do Edifício Liberdade, da empresa TO Tecnologia Organizacional ? dona das salas onde eram realizadas as obras suspeitas de comprometerem a estrutura do prédio de 20 andares ? e ainda o dono de uma empresa que teria sido chamada para dar um laudo técnico do projeto, passaram o dia dando versões antagônicas sobre suas responsabilidades. O único ponto em comum entre elas é o fato de que as obras no nono pavimento do edifício começaram há oito dias, sem projeto, sem registro e até mesmo sem qualquer engenheiro responsável. O pedreiro Alexandro da Silva Fonseca prestou depoimento ontem. O advogado Beire Simões, que representa o administrador do prédio, Paulo Renha, informou que a TO Tecnologia Organizacional foi notificada para que apresentasse os documentos, incluindo a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e o laudo técnico sobre as duas obras ? do terceiro e nono pavimentos ? e ainda o tubo coletor de entulho. Nenhum documento sobre a obra do nono pavimento, no entanto, foi apresentado. Sem responsável, pedreiro dá o principal depoimento Sem responsáveis técnicos inscritos no Crea-RJ, o depoimento do pedreiro Alexandro da Silva Fonseca passou a ser um dos mais importantes para esclarecer o episódio. Ele trabalhava na obra do nono andar no momento do desabamento. À porta da delegacia, ele contou que apenas uma parede de um banheiro foi quebrada durante a reforma. O banheiro seria removido para um outro lugar no mesmo pavimento. Contudo, momentos antes, ele contara uma história diferente, confirmando que derrubou duas paredes inteiras e metade de outras duas, deixando de pé apenas as vigas de sustentação. ?Derrubei apenas as paredes de tijolos. O concreto não foi tocado?. Numa das entrevistas, Alexandro contou ainda que momentos antes do desmoronamento, ele subia no elevador transportando sacos de areola (um tipo de areia de obra). ?Apertei o nono andar, mas o elevador subir direto até o 16º. Quando ele tornou a descer, senti que estava trepidando. Achei estranho. Quando ele parou no nono andar e abriu a porta, olhei para cima e vi que o prédio estava desabando. Pulei de volta para dentro do elevador e me agarrei aos sacos de areola para não ser arremessado ao teto?, contou.

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