Nacional
O mundo foi insuficiente para Oscar Niemeyer
São Paulo, SP ? Um dos erros do senso comum é atribuir a Oscar Niemeyer uma obra ?paroquial?, consagrada no seu quintal, restrita ao universo arquitetônico latino-americano. A produção internacional do arquiteto é igualmente imensa, complexa, diversa e influente. E se espalha em diferentes períodos históricos, como projetos ou como obras concluídas. Essa saga internacional do arquiteto principia, ironicamente, por conta da repressão da ditadura militar. Em 1967, após ter seus projetos para o Museu da Terra, do Mar e do Cosmo, e também o do Museu Tiradentes, suspensos por ordem do governo militar, ele é obrigado a buscar caminhos na Europa de forma mais metódica e regular. ?Lugar de arquiteto comunista é em Moscou?, declarou o ministro da Aeronáutica. Sorte da Itália, que o recebeu com uma encomenda: a obra da editora Mondadori. Ele chegou a Milão a convite de Giorgio Mondadori, que tinha ficado pasmado com a visão do prédio do Itamaraty, em Brasília (para muitos, é quase uma cópia de si mesmo). O empresário queria colunas imponentes, uma visão arrojada, algo semelhante à modernidade de Brasília para a sede da editora.