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Estudante planejou morte dos pais para ficar com namorado
São Paulo ? ?Por amor?. É a explicação de Suzane Louise von Richthofen, de 19 anos, para o fato de ter planejado o assassinado seus pais. O engenheiro Manfred Albert von Richthofen, de 49 anos, e Marísia von Richthofen, de 50, foram mortos na noite do dia 31, enquanto dormiam, com golpes de barra de ferro na cabeça, pelo namorado de Suzane, Daniel Cravinhos de Paula e Silva, de 21, e pelo irmão dele, Christian, de 26.Os três confessaram ontem. O motivo? Os pais de Suzane não queriam o namoro com Daniel. O casal foi o mentor do crime, segundo afirmou o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Domingos Paulo Neto. O plano começou a ser traçado há dois meses. Daniel foi quem preparou as barras de ferro em sua própria casa. Elas eram ocas e ele as recheou com madeira. Suzane decidiu matar os pais porque seu relacionamento com Daniel ? de quase três anos ? não era aceito pela família. Para o casal, Daniel era uma má companhia que tinha levado sua filha ao uso de drogas. Na noite do crime, os dois haviam fumado maconha. Daniel não podia freqüentar a casa da namorada e os encontros ocorriam praticamente às escondidas. Em meio a dezenas de jornalistas, após entrevista coletiva que anunciou o desfecho do caso, Daniel repetiu uma única vez as palavras da namorada: ?Foi por amor.? Frieza A confissão, na madrugada de ontem, foi rica em detalhes e feita de forma fria. ?Ela narra com certa tranqüilidade o ocorrido?, disse a delegada Cintia Tucunduva Gomes, titular da equipe C-Sul da Divisão de Homicídios e responsável pelo inquérito. Os três vão responder por duplo homicídio qualificado e furto. Podem ser condenados a penasde de 25 a 64 anos. Christian também vai ser processado por porte de droga, pois acharam maconha na casa dele. O planejamento do crime foi meticuloso. Era preciso tirar o irmão de Suzane, Andreas, de 15 anos, de casa. Por causa do horário, ele foi convencido pelo casal a sair escondido. O garoto colocou dois travesseiros cobertos em sua cama para simular que estava dormindo. Daniel foi buscá-lo, por volta das 22h30. Suzane estava na casa do namorado. Os três saíram. Andreas foi deixado no cyber-café Red Play, na Rua Doutor Jesuíno Maciel, no Campo Belo. Christian já estava por lá. Os registros do bar revelam que ele chegou às 22h12 e saiu às 22h50. O combinado é que ele deveria esperar o irmão e a cunhada na esquina. O crime Os três, no Gol de Suzane, seguiram para a casa das vítimas, uma mansão na Rua Zacarias de Góis. Deixaram o carro na garagem. A primeira a entrar foi a filha. Friamente, ela subiu para ver se os pais estavam mesmo dormindo. Suzane acendeu a luz para que Daniel e Christian tivessem ?boa visão? das vítimas. Ela pegou sacos de lixo e os entregou aos irmãos. Suzane foi para o carro. Disse para a polícia que, neste momento, hesitou. Pensou no que estava fazendo. Mas ficou ali mesmo. Daniel e Christian colocaram meias de mulher no corpo e na cabeça para evitar que pêlos caíssem no chão. Vestiram outras roupas sobre as que usavam e colocaram luvas cirúrgicas. Essas luvas eram de Marísia, que era psiquiatra, e haviam sido roubadas por Suzane. Os dois irmãos entraram no quarto com as barras de ferro. Daniel se encarregou de Manfred e Christian, de Marísia. Com a primeira pancada, as vítimas acordaram. O engenheiro desmaiou em seguida. Foram seis ou sete golpes. Marísia sofreu mais. Ela tentou se proteger com a mão e teve os dedos quebrados pelas pancadas. Afoito, Christian colocou uma toalha que ele pegara no banheiro na boca da vítima, para barrar a respiração dela. Em seguida, colocou um saco de lixo na cabeça da vítima para, por fim, esganá-la. A violência foi tanta que um osso do pescoço foi fraturado. Jóias Daniel colocou outra toalha no rosto de Manfred. Suzane havia revelado um compartimento secreto - um fundo falso de um móvel - onde ficavam escondidos um revólver calibre 38 e jóias. Daniel pegou a arma e colocou-a perto da mão do engenheiro. Parte das jóias foi espalhada pelo quarto. Alguns itens foram levados. A dupla seguiu, então, para a biblioteca. Para simular um assalto, os dois espalharam objetos. Numa maleta, estavam guardados cerca de R$ 8 mil e US$ 5 mil. Os irmãos pegaram uma faca na cozinha e rasgaram a mala para pegar o dinheiro. Deixaram luzes acesas e a porta de entrada da sala aberta. As roupas ? sujas de sangue ?, as meias, as luvas e as barras de ferro foram colocadas em um saco de lixo, abandonado em seguida na Avenida Ibirapuera, zona sul. Para a polícia, será difícil recuperar esses objetos. Álibi Suzane e Daniel deixaram Christian em casa e seguiram para o Motel Colonial, na Avenida Ricardo Jafet. Entraram à 1h36. Pediram uma Coca-Cola às 2h05 e saíram às 2h56. No primeiro depoimento que prestaram, logo após o crime, o casal afirmou que manteve relações sexuais. Na madrugada de hoje eles mudaram a versão. Suzane disse que os dois chegaram a ter uma discussão sobre o que tinham acabado de fazer. Os dois pegaram Andreas no bar e seguiram para a casa de Daniel. Lá (uma pequena rua sem saída), o garoto andou de mobilete. Por volta das 4 horas, voltou para casa com a irmã. Na mansão, Suzane fingiu ficar nervosa ao encontrar luzes acesas, portas abertas e a biblioteca revirada. Ligou para o namorado, que falou para ela não ir até o quarto dos pais, sair da casa e ligar para a polícia. Foi o que ela fez. No domingo, dias após o crime, a jovem comemorou seu aniversário com uma festa, num sítio no interior. Moto A polícia não tinha dúvidas, mas o assassinato de Manfred, sobrinho-neto do lendário Barão Vermelho e diretor de Engenharia da empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) e da psiquiatra Marísia, foi ?rachado? ? como diz a gíria policial que define os casos esclarecidos -, na noite de ontem. Christian havia comprado uma moto com os dólares roubados. Por ter o nome sujo na praça, a moto foi comprada em nome de um amigo, Jorge Ricardo Marchi. Ele pagou R$ 12.500,00, com 36 notas de US$ 100. Além do dinheiro, o irmão de Daniel recebera a promessa de ?chances de negócios? quando Suzane colocasse as mãos na herança de cerca de R$ 1 milhão. Christian, ex-viciado em cocaína, que usa maconha, estava com o telefone grampeado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ao todo, seis telefones estavam sendo monitorados.