Nacional
Alagoas tem maior �ndice de analfabetismo entre jovens
Brasília ? O Estado de Alagoas é o que tem o maior índice de analfabetismo do País entre os adolescentes. Dezoito porcento da população entre 12 e 17 anos não sabem ler ou escrever. O índice fica muito além da taxa nacional, de 5,2%. Os dados constam no documento ?Situação da Adolescência Brasileira?, divulgado ontem pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O relatório constata que os piores resultados nesse item estão no Nordeste. O Piauí e o Maranhão aparecem com 13,2% e 12,6%. Enquanto no Sul estão as melhores constatações. Santa Catarina, por exemplo, tem o menor índice de analfabetos nessa faixa etária, 1,3%. O Unicef destacou a questão da alfabetização, por considerar que os jovens analfabetos ? que somam 1,1 milhão no País ? e com baixa escolaridade ? 8 milhões ? têm condições de desenvolvimento limitadas e comprometem o futuro do País. ?Um adolescente que não sabe ler ou escrever não tem espaço no mundo do trabalho, tem dificuldade em acessar informações básicas para sua saúde e carrega consigo um estigma que reforça e promove sua exclusão social?, disse a representante do Unicef no Brasil, Reiko Niimi. Apesar disso, verificou que não há uma relação direta entre a escolaridade e a violência entre os adolescentes. ?Os dez municípios com pior índice de analfabetismo estão no Norte e Nordeste do País. Muitos são rurais e pequenos. São lugares onde as tentações da cidade estão longe. A violência está muitas vezes ligada às drogas, às organizações como a máfia e gangues. Também gostaria de destacar que a taxa de violência é muito complicada, começa com a atitude dos pais, no lar, a questão de valores éticos, não só a disponibilidade de políticas públicas?, afirmou. Violência A representante do Unicef observa, ainda, que a questão da violência não é afetada, obrigatoriamente, pelo poder econômico das cidades. ?A violência não é ligada intrinsecamente à pobreza. Mas vemos que quando os jovens participam de atividades lúdicas, a violência, a gravidez precoce e o uso de drogas diminuem?, avaliou Niimi. A recomendação do Unicef, para melhorar a situação do adolescente brasileiro é que ?as políticas de educação não podem continuar centradas na escolarização pura e simples. A educação dos mais de 21 milhões de adolescentes brasileiros é, sem dúvida, o maior desafio das políticas sociais do País neste início de milênio?, e sugere que o desafio seja enfrentado com trabalho conjunto entre escola, família, comunidade, ONGs e demais ins-tituições responsáveis pela proteção à infância e à adolescência.