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Juiz � condenado a mais de 13 anos de pris�o por matar esposa

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São Paulo ? Pela primeira vez na história do Estado de São Paulo, um juiz foi condenado por homicídio e saiu preso do Tribunal de Justiça. Após sete horas de sessão de julgamento, o õrgão Especial do Tribunal de Justiça ? formado pelos 25 desembargadores mais antigos ? declarou Marco Antônio Tavares, 47, juiz presidente do Tribunal do Júri de Jacareí (75 km de São Paulo), culpado pela morte da mulher, Marlene Aparecida Moraes. A pena foi fixada em 13 anos e meio de reclusão, além da perda do cargo de juiz. Por unanimidade, todos os 24 desembargadores votantes se convenceram de que Tavares atirou duas vezes na mulher e raspou ? utilizando produtos químicos ? as digitais dela, para dificultar a identificação do corpo. Segundo Tania Lis Tizzoni Nogueira, advogada de defesa, Tavares recebeu a decisão ?com grande surpresa??. A defesa alega que o juiz é inocente e anuncia que vai recorrer da decisão. Na hora de quantificar a pena, não houve consenso e a decisão foi tomada pela maioria: 13 votaram pelos 13 anos e meio, nove por 16 anos, e dois por 18 anos. A sessão foi presidida pelo presidente do TJ, Sérgio Nigro Conceição, que só vota se há empate. Marlene foi encontrada morta no dia 30 de agosto de 97 na rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro (SP-123), que liga Campos do Jordão a Taubaté. Embora o crime tenha acontecido oito dias antes, o corpo estava em avançado estado de decomposição e por isso precisou ser reconhecido pelas roupas, jóias, esmalte nas unhas e pela arcada dentária. As suspeitas recaíram sobre Tavares, que, mesmo estando separado de Marlene, a teria convidado para sair, levando-a ao local do crime. Testemunhas ouvidas no decorrer do processo disseram que Tavares comprara luvas de borracha em um supermercado no dia do crime ? o tribunal concluiu que, com as luvas, o juiz manipulou o produto utilizado para raspas as digitais de Marlene. Por ser juiz, Tavares tem direito a foro privilegiado ?o que significa ser julgado diretamente pelo órgão colegiado de segunda instância. Ele foi o segundo magistrado acusado de homicídio no Brasil. O primeiro foi um desembargador do Maranhão em 1873.

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