Nacional
Ex-diretor nega ter se beneficiado
Brasília ? Suspeito de integrar um esquema criminoso, o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa negou ontem, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado que investiga irregularidades na estatal, ter utilizado a companhia para se beneficiar em negócios. Durante as quatro horas e meia do depoimento boicotado pela oposição, ele também rechaçou as acusações de policiais federais de que uma ?organização criminosa? teria se infiltrado na estatal do petróleo e que a empresa teria se tornado uma ?casa de negócios?. Um dos 13 presos na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal (PF), Costa é acusado de ter recebido propina e de ter envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões. Devido às acusações, ele ficou quase dois meses preso no Paraná. O processo está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) em razão de suspeitas de envolvimento de parlamentares no caso. ?Repudio veementemente que a Petrobras era organização criminosa, que tinha outra pessoa que fazia lavagem de dinheiro, que foi dito pela imprensa que eu tinha participação nos negócios, repudio. E coloco que a Petrobras não é nada disso do que está se falando. [...] Foram colocadas dezenas de fatos e situações irreais, que eu repudio veementemente, que a Petrobras era casa de negócios, que existia organização criminosa lá dentro?, declarou o ex-diretor aos senadores. Com exceção do presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), e do relator do colegiado, senador José Pimentel (PT-CE), apenas os senadores governistas Humberto Costa (PT-PE), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) acompanharam praticamente toda a fala do ex-dirigente da Petrobras. Ao longo da audiência, os senadores Acir Gurgacz (PDT-RO), Anibal Diniz (PT-AC) e Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP) fizeram breves intervenções.