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Pesquisa mostra que nem todo negro � afrodescendente

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São Paulo - Nem todo negro no Brasil é geneticamente um afrodescendente, e nem todo afro-brasileiro é necessariamente um negro. Assim se pode resumir a pesquisa do grupo de Flavia Parra e Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgada ontem na Internet na internet pela revista da Academia de Ciências ? a dos EUA, onde o estudo dos pesquisadores brasileiros poderá ter grande impacto. De quebra, o trabalho deita por terra a possibilidade de encontrar um ?critério científico? de grupos raciais, como defendeu o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, em debate na TV. Pena, 55, um especialista na origem genética da população brasileira, diz que a complexidade envolvida é ?brutal? e que não existe base objetiva para a introdução de cotas raciais nas universidades públicas, por exemplo. Autoclassificação ?A única coisa que se pode usar, sujeita a muitos abusos, é a autoclassificação? (ou seja, o próprio interessado declarar se é negro), diz o geneticista, que já havia estudado as linhagens genéticas da população brasileira com base nos cromossomos Y (herdados apenas do pai) e no DNA das organelas celulares chamadas mitocôndrias (herdadas somente da mãe). ?Não temos nenhuma intenção de que esse índice seja usado para avaliação individual. Seria um novo racismo.? Se a expectativa de direito a uma compensação pelas injustiças sofridas por negros no Brasil tiver por fundamento a ancestralidade, porém, a pesquisa da UFMG ?que teve a colaboração de cientistas da Universidade do Porto, em Portugal? embaralha tudo. Isso porque ela demonstra que ter a pele escura não indica com segurança que a pessoa teve a maioria de seus genes herdada de ascendentes africanos (veja à dir. quadro-resumo da pesquisa). ?Nossos dados sugerem que no Brasil, no plano individual, a cor determinada por avaliação física é um fraco fator de predição de ancestralidade genômica africana estimada por marcadores moleculares?, dizem os autores no artigo, em linguagem cautelosa.

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