Nacional
Palocci critica governo e acusa FHC de esvaziar planejamento
Brasília - O planejamento governamental atingiu um nível de esvaziamento brutal, disse ontem o coordenador da equipe de transição e futuro ministro da Fazenda, Antonio Palocci, durante reunião do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva com o ministério. Segundo Palocci, este foi o tema que mais chamou a atenção do grupo de trabalho, principalmente com relação ao desenho institucional e à construção de sistemas de gestão e coordenação. O problema, segundo o futuro ministro, não estaria apenas nas estruturas do ministério do Planejamento, mas no conjunto das áreas estratégicas responsáveis por articular o desenvolvimento do país. Para ele, não seria exagero afirmar no que se refere ao planejamento estratégico que ?o Estado brasileiro vive um prolongado apagão?, disse Palocci ao apresentar o relatório da equipe de transição ao presidente eleito e à equipe presidencial. Ele destacou ainda que a desarticulação ?é fonte sitemática de desperdício de recursos e de geração de ineficiências?. Como exemplo dessa desarticulação ele citou as áreas de energia, comunicação, ciência e tecnologia, integração nacional, meio ambiente e desenvolvimento. Ele também ressaltou a ausência de regras claras para atuação das agências reguladoras. Relatório A cinco dias de assumir o governo do país, a equipe de transição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez ontem as críticas mais duras aos oito anos da gestão que sucede, do presidente Fernando Henrique Cardoso. O relatório final da equipe petista, narrado pelo coordenador-geral da transição e novo titular da Fazenda, Antonio Palocci, aos futuros ministros e secretários criticou a economia do país apontou falhas e retrocesso no âmbito social, principal bandeira de campanha do PT para chegar à Presidência. O pronunciamento de Palocci antecedeu o discurso de Lula, em tom mais brando, que reafirmou promessas com o social mescladas às suas tradicionais metáforas futebolísticas. O presidente eleito disse que ?fez questão de não se meter no trabalho da transição? e que sua primeira conquista fora ?a recuperação da auto-estima do brasileiro?. Outra prioridade do futuro governo será baixar a cotação do dólar a partir do primeiro dia de 2003 e zelar pela estabilidade monetária, atrelada à retomada do crescimento sustentável. ?A instabilidade atual questiona os próprios avanços que se obtiveram com a estabilidade da moeda, o controle relativo da inflação e um marco institucional fortalecido pela responsabilidade fiscal?, disse.