Nacional
Reviravolta no caso Sueli
A reconstituição do assassinato da jornalista Sueli Jacinto, 42, feita ontem pela adolescente J.S.O., 13, fez a Polícia Civil de Praia Grande (litoral sul de SP) voltar atrás da primeira versão que sustentou sobre o caso. Agora, segundo a corporação, o crime foi totalmente planejado e executado pelo taxista Claudionor Almeida de Souza, 54, casado com Sueli no dia do assassinato, em 16 de dezembro. Já a adolescente, que até ontem à tarde aparecia como a principal protagonista do crime na versão policial, está sendo tratada como uma ?vítima? que teria sido ?aliciada? pelo taxista. Os policiais de Praia Grande querem usá-la como uma espécie de auxiliar nas investigações. Um primeiro depoimento de J.S.O., no início da semana, estruturou a primeira tese da polícia. Ontem, ela teria assumido que mentiu para defender seu amante. Eles seriam namorados há pelo menos dois anos. De acordo com o delegado Carlos Batista, um dos responsáveis pelo caso e que trata como normal a ?verdade? aparecer depois de algumas contradições, a adolescente possui agora o rótulo de vítima do taxista. Na nova versão apresentada pelos policiais, o crime ocorreu momentos após a chegada de Claudionor e Sueli à casa que haviam alugado na cidade para passar a lua-de-mel. No mesmo dia, pela manhã, eles haviam se casado em um cartório de São Paulo. Após o crime, o taxista teria retornado, de ônibus, à capital para conseguir álibis. De acordo com a Polícia Civil, a adolescente, que estava na casa desde o dia anterior, foi obrigada a assistir ao assassinato de Sueli e ainda auxiliar seu amante em algumas ?tarefas?, como a de entregar ao taxista o rolo de macarrão usado para matar a jornalista por meio de pancadas na cabeça. ?Ela (a adolescente) não fez por iniciativa própria. Quem arquitetou (o crime) foi ele (o taxista). Na verdade essa menina é uma coitada, que foi aliciada e usada como um instrumento pelo Claudionor?, disse o delegado Batista. Segundo a polícia, a adolescente foi muito ?detalhista? durante a reconstituição do crime. Ela teria demonstrado muito nervosismo quando explicou todos os passos do assassinato de Sueli - que era produtora de TV e assessora do vereador José Olímpio (PMDB) e da deputada estadual Edna Macedo (PTB).