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PT oferece cargos a dissidentes para rachar PMDB

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Brasília ? O PT decidiu endurecer na negociação com a cúpula do PMDB em torno das eleições para o comando do Congresso. Ao mesmo tempo, aposta na ala dissidente do partido e num acordo com o PFL para eleger o deputado João Paulo (SP) presidente da Câmara. Para garantir o apoio dos dissidentes, o PT acenou com cargos no governo. Os cargos de segundo ou de terceiro escalão ? cerca de 22 mil ? atendem a algumas demandas de parlamentares e representam um espaço no governo. Para o primeiro escalão, não há mais vagas. Nas últimas 24 horas, os petistas recusaram exigências da cúpula do PMDB e impuseram novas condições para o cumprimento do acordo firmado após as eleições entre as duas siglas, num sinal de que o entendimento para dividir o comando do Congresso está para implodir. Os termos do acordo inicial eram simples: o PT apoiaria o candidato do PMDB no Senado e o PMDB, o candidato do PT na Câmara. Ontem, em uma reunião entre os presidentes dos dois partidos, os petistas impuseram novas condições. Exemplo: o acerto não vale se houver alguma alteração na composição das atuais bancadas no Congresso. Reação de Renan O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), mandou ontem um recado ao PT: o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa definir se a presidência do Senado é uma ?questão política ou pessoal?. Se for política, a direção do PT deve sentar à mesa com o PMDB e definir os critérios para a eleição do presidente do Senado. Se for pessoal, o PT deve assumir publicamente sua preferência em ter o senador José Sarney (PMDB-AP) à frente do Congresso. ?Ainda não há acordo entre os dois partidos?, afirmou Calheiros, que já lançou sua candidatura ao comando do Senado e tem como principal concorrente o senador José Sarney. Para Renan Calheiros, para ter acordo é preciso clareza em dois pontos: o compromisso do PT em votar no nome indicado pela maior bancada e a isenção do governo na indicação. ?Se isso não ficar definido corre o risco de o acordo não existir?, alertou Calheiros. Os líderes do PT já manifestaram a disposição de acatar qualquer que seja o nome escolhido pela bancada majoritária no Senado. Mas, ao mesmo tempo, o PT não deixa claro para o PMDB se considera a maior bancada aquela que saiu das urnas em outubro ou a bancada que tiver o maior número de filiados na véspera da eleição. Apoio a Sarney Até então reticente em falar abertamente do apoio ao senador José Sarney (PMDB-AP), o senador eleito Aloizio Mercadante (PT-SP), futuro líder do governo, mudou o tom e não mais disfarça a preferência do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa à presidência do Senado. ?Qual é o problema da gente torcer pelo Sarney da mesma forma que o Fernando Henrique pode torcer pelo Renan??, questiona. Segundo ele, o que tem dificultado o acordo entre o PT e o PMDB na eleição dos presidentes da Câmara e do Senado não são os nomes mas, sim, o fato da cúpula peemedebista ter desrespeitado o acerto feito com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Mercadante diz que o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), e o líder Renan Calheiros (AL) propuseram a Dirceu que o partido e o governo aguardassem a eleição das presidências sem buscar novas filiações. ?Nós seguimos o que estava combinado, mas eles não?, defende. ?O PMDB não pode ficar aliciando senadores artificialmente e alterando a composição das bancadas.? Também ficou acertado que os partidos apoiariam a indicação para os cargos feitas pela maiores bancadas. Ele diz que conversou sobre isso com Renan na quarta-feira. Recado de Lula No início da noite, o porta-voz da Presidência da República, André Singer, disse que o governo não se envolverá na disputa pelas presidências da Câmara e do Senado. ?O presidente Luiz Inácio afirmou que a Presidência da República não se envolverá com a disputa de outro poder e que este governo não participa da política do toma-lá-dá-cá?, afirmou. A afirmação de Singer foi feita após um dia de longas negociações na Casa Civil, onde o ministro José Dirceu e o presidente do PT, deputado José Genoíno (SP), mantiveram encontros com presidentes e líderes de diversos partidos da base de apoio ao governo.

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