Nacional
Estados v�o frear investimentos
Brasília ? Pressionada pela paralisia econômica do país e pelos ajustes anunciados na administração federal, a nova safra de governadores enfrentará o risco de interrupção da trajetória de expansão dos investimentos observada nos últimos oito anos. Como de hábito, investimentos, que englobam obras de infraestrutura e compras de equipamentos, são vítimas preferenciais em momentos de cortes de despesas. Nos Estados, o impacto tende a ser especialmente agudo nessas situações. Estudo elaborado pela consultoria Macroplan mostra que os governos estaduais têm se tornado cada vez mais dependentes de dinheiro emprestado -em geral, pela União- para investir. Em valores corrigidos pela inflação, esses gastos saltaram de R$ 41,2 bilhões, em 2006, para R$ 67,7 bilhões em 2013, o que representa elevação de 64% no período. Ainda não totalizados, os números de 2014 devem ser maiores, como é tradição em anos eleitorais. No período analisado pelo trabalho da consultoria, a parcela dos desembolsos bancada por financiamentos tomados pelos Estados aumentou de 10,9% para 48,4% -praticamente a metade. Dito de outra maneira, os Estados dispõem de menos recursos próprios para as obras públicas, e a alta dos investimentos tem sido sustentada pelo crédito federal, que agora tende a escassear. Essa tendência foi radicalizada a partir de 2012, quando a freada do crescimento econômico do país encerrou a era de alta acelerada da receita tributária em todos os níveis de governo. Entre várias tentativas de reverter o quadro de estagnação econômica, o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) lançou naquele ano um programa do BNDES, banco oficial de fomento, destinado especificamente a financiar investimentos estaduais e do Distrito Federal.