Nacional
Lula e Duhalde v�o fortalecer Mercosul e combate � fome
Brasília ? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, acertaram, durante reunião ontem pela manhã no Palácio do Planalto (a primeira de Lula com um chefe de Estado desde a posse), ?uma série de iniciativas? para fortalecer o Mercosul. Em pronunciamento após o encontro, Lula prometeu fornecer detalhes em breve, mas adiantou que os ministros do Brasil e da Argentina vão se reunir de forma mais constante. ?E, enquanto Duhalde for presidente, espero que nos encontremos outras vezes para aperfeiçoar as relações entre nossos países?, completou Lula. O presidente brasileiro afirmou que o colega argentino compartilha sua opinião de que o bloco comercial do Cone Sul tem de ser estimulado. ?Duhalde tem a mesma convicção de que precisamos recuperar o tempo perdido. Vamos fazer um esforço ainda maior para que o Mercosul volte a ganhar credibilidade junto ao nosso povo, aos empresários, ao movimento social e nos meios políticos?, disse. Contra a fome Os presidentes do Brasil, e da Argentina determinaram, também na reunião, a seus ministros que definam um programa de cooperação bilateral para o combate à fome e à pobreza. Ainda sem prazo para conclusão, o programa terá como base estatísticas e indicadores sociais que serão levantados pelas equipes dos dois governos até o final de março. Os dois presidentes reafirmaram, em nota conjunta divulgada ontem, que a prioridade de ambos os governos é o combate à fome e à pobreza. Críticas duras O presidente da Argentina, criticou ontem as medidas definidas pelo Consenso de Washington, como estabilização monetária, disciplina fiscal e abertura comercial. ?Há um tempo nos disseram que as políticas acertadas em Washington iriam derramar riqueza sobre os setores mais despossuídos. Na realidade, passado o tempo, o que tem se derramado não é a riqueza, mas a pobreza sobre nossos povos?, afirmou. Em função disso, o presidente da Argentina disse que os países da América Latina vivem um momento muito difícil. Para comprovar o que dizia, Duhalde afirmou que das dez economias mundiais com maior risco-país, sete estão na região. ?Estamos atendendo a conjuntura, estamos como podemos resolvendo os problemas de setores muito prejudicados pelas medidas implementadas. Estamos dizendo aos países do mundo que as políticas globais continuarão prejudicando nosso povo?, afirmou Duhalde, mostrando pessimismo em relação ao futuro das economias do continente.