Nacional
PMDB antecipa escolha de candidato no Senado
Brasília - O senador Renan Calheiros (AL) disse nesta terça-feira que a bancada do PMDB irá antecipar para amanhã, às 11h, reunião para definir o candidato do partido à presidência do Senado. O objetivo do encontro seria reduzir a exposição da bancada ao assédio com cargos de segundo e terceiro escalões do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem sinalizado que prefere o senador José Sarney (PMDB-AP) a Calheiros. O senador alagoano, atual líder da bancada, calcula que na quinta terá 14 ou 15 votos a seu favor, mas que, se a decisão fosse tomada mais adiante, poderia perder o controle da situação. Oficialmente, Calheiros adota o discurso de que a demora na escolha do candidato poderia prejudicar o PMDB na disputa pelo comando do Senado. ?O PT já indicou o candidato há mais de 30 dias. O jogo começou faz tempo. O PMDB estava perdendo espaço, porque o João Paulo está percorrendo o país pela sua candidatura?, afirmou Calheiros. ?O importante é que o partido escolha seu nome?, completou PT e PMDB fecharam acordo de apoio mútuo para eleger, respectivamente, os presidentes da Câmara e do Senado. O argumento dos partidos é a tradição nas Casas de que a maior bancada faz o presidente. A antecipação também tem objetivo de pressionar o PT a aceitar o nome de Calheiros. A cúpula do PMDB aposta que o governo Lula não estaria disposto a descumprir acordos no início de mandato - avaliam que custaria caro ao PT ter relação estremecida com parte dos peemedebistas no futuro, quando Lula tiver menor popularidade e precisará aprovar reformas polêmicas. ?Eles [o PT] têm dito que vão cumprir [o acordo]. Nelson Pellegrino disse que vai cumprir, José Dirceu disse que vai cumprir, Lula diz que não irá intervir...?, afirmou. Para vencer a indicação na bancada, Calheiros aposta ainda no perfil de Sarney de entrar em disputas apenas para ganhar. ?Ele [Sarney] não entra em bola dividida?, afirmou um interlocutor próximo a Calheiros. Antecipação do PMDB pegou PT de surpresa Brasília - Lideranças do PT no Congresso criticaram nesta segunda-feira decisão do PMDB de antecipar para amanhã a reunião que definirá o candidato do partido à presidência do Senado. Para o líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino, a antecipação da escolha de um nome do PMDB para o Senado ?atropela o processo? de negociação iniciado entre os dois partidos. ?O atropelo do processo gera preocupação no PT. Pode haver um racha dentro do PMDB, que provocará uma candidatura avulsa?, disse Pellegrino. Segundo Pellegrino, a possibilidade de haver uma candidatura avulsa no PMDB para a presidência do Senado pode mudar os rumos da negociação do partido com o PT. ?Se houver um racha [no PMDB], seremos obrigados a nos posicionar diante dessa nova situação. Esperamos que o PMDB encontre uma saída democrática e institucional para a questão.? Pellegrino disse que a decisão de Calheiros pegou o PT de surpresa. ?Queremos cumprir nosso acordo, honrar nossa cota com o PMDB. Mas o processo de escolha do nome do PMDB precisa se dar de forma tranqüila?, disse Pellegrino. Bloco O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), descartou ontem a possibilidade de formação de um bloco com o PSDB. Ele disse que tem ?absoluta convicção? de que não haverá formação de blocos parlamentares para a disputa de cargos à Mesa Diretora da Câmara. Segundo Inocêncio, há assinaturas de mais da metade dos deputados do PFL e do PSDB para a formalização do bloco, mas não há interesse político. Ele afirmou que o bloco seria uma contraposição à eventual união entre PTB e PPB, que tiraria do PFL a posição de segundo maior partido na Casa.