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Adauto nega irregularidades, mas admite deixar minist�rio

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Brasília ? O ministro dos Transportes, Anderson Adauto, admitiu ontem que poderá não retornar ao comando do ministério, depois que assumir seu mandato de deputado federal, no dia 1º de fevereiro. Assim como outros seis ministros que têm mandato parlamentar, Adauto será exonerado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser empossado na Câmara. Abatido e dizendo-se muito constrangido, o ministro garantiu não estar envolvido em irregularidades na prefeitura de Iturama (MG) e disse que é vítima de uma ?ação orquestrada? para tirá-lo do ministério. ?Todos os ministros que são parlamentares serão exonerados. Como vai viajar, o presidente Lula já até assinou os atos de exoneração. Portanto o caminho de ida (para Câmara) vai naturalmente acontecer. Quanto ao ato de volta depende também do presidente e não posso dizer que volto?, disse hoje Adauto, depois de uma longa maratona de reuniões reservadas no Palácio do Planalto. ?Vai haver exoneração. Vocês sabem que um, dois, três, quatro, cinco dias em político é uma eternidade. O futuro a Deus pertence?, disse o ministro. As denúncias contra o ministro acabaram irritando aliados tanto do PL quanto do PT. Eles reclamaram da demora na nomeação dos cargos de segundo escalão do Ministério dos Transportes. Hoje, depois de mais de duas horas de reunião no Planalto, Adauto conseguiu nomear apenas Washington Lima de Carvalho, ligado ao PT, para uma diretoria do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT). Para a direção de portos mais importante, e cobiçados pelos políticos, como os da Bahia, São Paulo, Rio e Ceará, não houve consenso entre PT e PL . Para o porto do Espírito do Santo, disse o ministro, já foi possível uma composição entre os dois partidos. Além do atraso nas nomeações do segundo escalão do Ministério dos Transportes, as denúncias contra o ministro provocaram um ?clima de desânimo? entre aliados e auxilires próximos do presidente Lula. Interlocutores do presidente observavam hoje que o ministro caiu num círculo vicioso e não consegue trabalhar. ?Essa história é ruim para todo mundo?, disse um palaciano. Mais uma vez, o ministro admitiu que é amigo de Sérgio José de Souza e Rômulo de Souza Figueiredo, sócios na CPA consultoria, empresa suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção na prefeitura de Iturama (MG). Adauto avisou que a CPA será alvo de uma investigação do Ministério Público Estadual e garantiu que deixará o cargo, caso seja comprovada alguma relação sua com ato irregular da empresa.

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