Nacional
Presidente licenciado da Eletronuclear � preso
São Paulo e Brasília ? A Polícia Federal prendeu, ontem pela manhã, o presidente licenciado da Eletronuclear, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, e o presidente da Andrade Gutierrez Energia, Flávio David Barra, na 16.ª fase da Operação Lava Jato. Esta é a primeira vez que a operação, cujas ações até então estavam restritas aos contratos de empreiteiras com a Petrobras e subsidiárias, investe sobre o setor elétrico. O foco nesta fase, batizada de Radioatividade, é a suspeita de corrupção em contratos para a construção da Usina Nuclear de Angra 3. Considerado a principal autoridade em energia nuclear do País, Pinheiro da Silva é apontado pela força-tarefa como recebedor de propinas para que o consórcio Angramon fosse o vencedor da licitação para a construção de Angra 3. O consórcio é formado por empreiteiras já investigadas pela Lava Jato: Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Odebrecht, Techint, MPE, Camargo Corrêa e UTC. Segundo a Polícia Federal e a Procuradoria da República no Paraná, Pinheiro da Silva recebeu R$ 4,5 milhões em propinas pagas entre 2011 - às vésperas da publicação do edital de pré-qualificação das obras de Angra 3 - até meados deste ano. Chamou a atenção do juiz Sérgio Moro, responsável pela condução das ações da Operação Lava Jato, que parte desse valor teria sido paga em dezembro de 2014, um mês depois da prisão de empreiteiros na 7.ª fase da Lava Jato. A estimativa da força-tarefa, entretanto, é que Pinheiro da Silva tenha recebido no período mais de R$ 30 milhões - equivalente a 1% do valor dos contratos assinados pelas empresas para as obras da usina.