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Lula lan�a Fome Zero pedindo apoio da sociedade

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Brasília ? Três meses depois de lançar a idéia e um mês depois de tomar posse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu ontem o primeiro passo do programa Fome Zero, ao assinar o decreto de criação do Conselho de Segurança Alimentar (Consea), composto por 13 ministros e 49 integrantes de fora do governo. Lançado em solenidade que reuniu cerca de 500 convidados no Palácio do Planalto, o mais ambicioso e comentado projeto de Lula deverá investir neste ano menos em projetos inéditos de alimentação (R$ 1,8 bilhão) e mais em ações herdadas do governo Fernando Henrique (R$ 3,2 bilhões), entre elas o Bolsa-Escola e o programa de distribuição de merenda escolar. De qualquer forma, Lula apontou, com ênfase original, a necessidade de toda a sociedade se engajar para resolver o problema: ?Sei que muitos, antes de mim, tentaram enfrentar de algum modo o problema da fome no Brasil. E, se não o solucionaram, foi porque essa causa não teve a prioridade que merece nem contou com a indispensável mobilização da sociedade.? Ele aproveitou a ocasião para estabelecer um contraponto entre a idéia de o País lutar contra a fome e a ameaça de guerra no cenário internacional. ?Nossa guerra não é para matar ninguém, é para salvar vidas?, disse ele, ao concluir seu discurso. Momentos antes, o presidente já tinha condenado a possibilidade de um ataque dos Estados Unidos ao Iraque, mesmo sem fazer referência direta à hipótese de conflito do Golfo Pérsico: ?Fome e guerra não obedecem a qualquer lei natural: são criações humanas.? A frase é do médico e geógrafo Josué de Castro, autor de um livro hoje considerado clássico, Geografia da Fome, além de fundador e primeiro presidente da FAO, a organização das Nações Unidas para o combate à fome. Lula fez questão de citar o nome de Castro, o que provocou a interrupção do discurso por palmas da platéia ? formada por 17 governadores, ministros, prefeitos, parlamentares, sindicalistas, empresários, artistas, desportistas e líderes religiosos. Lula afirmou ainda que a fome não é um problema só do Brasil. ?Ela é hoje um flagelo mundial que castiga bilhões de seres humanos em todo o planeta. Nós, brasileiros e brasileiras, temos a obrigação de fazer a nossa parte. Mas as nações ricas também têm que fazer a parte delas?, disse o presidente. Doação Na tentativa de rebater críticas ao Fome Zero, Lula afirmou que o programa é muito mais do que um projeto de doação de alimentos. ?Não adianta apenas distribuir comida. Se não atacarmos as causas da fome, ela sempre irá voltar, como já aconteceu outras vezes em nossa história. O projeto Fome Zero combina, de um modo novo, o emergencial com o estrutural. ê preciso dar o peixe e ensinar a pescar. Ensinar a pescar é criar empregos nas regiões onde hoje existe fome e pobreza. Ensinar a pescar significa melhorar as condições de vida da população. Ensinar a pescar é dar ao povo uma educação de qualidade. ê saúde digna. ê salário e renda.? Logo depois da assinatura do decreto, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) reuniu-se pela primeira vez e decidiu anunciar algumas das 60 ações prometidas para o programa Fome Zero: o aumento de R$ 0,06 para R$ 0,13 por aluno no valor do repasse da União para a merenda escolar da pré-escola e reajuste da verba destinada a creches para uma cifra que só será estipulada daqui a dois meses.

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