Nacional
Constrangimento marca in�cio da CPI dos Fiscais
Rio ? A CPI dos Fiscais, criada para apurar a trajetória dos US$ 33,4 milhões supostamente extorquidos de empresas e depositados na Suíça por fiscais estaduais e auditores federais, dedicou boa parte do seu primeiro dia de trabalho, ontem, a investigar a si mesma. Em tensa sessão secreta, os parlamentares decidiram manter entre seus membros os deputados Carlos Minc (PT), Edmilson Valentim (PC do B) e André do PV (PV), apesar de eles terem recebido na campanha de 2002 contribuições da Rio de Janeiro Refrescos, engarrafadora da Coca-Cola, que será investigada na comissão. Minc também recebeu contribuição de Roberto Adler, que o PDT suspeita ser irmão de Ronaldo Adler, diretor da representante do banco onde foram abertas as contas. ?Vou recorrer à Mesa Diretora?, disse, ao sair, a deputada Cidinha Campos (PDT), suplente da CPI. Nas duas votações ? uma sobre Minc, outra sobre Valentim e André ?, foi derrotada por 7 a 1. No plenário da Assembléia, acusou Minc de ser ?símbolo do capitalismo?, por se dizer de esquerda, mas ser financiado pela Coca-Cola. Aparentando nervosismo após a sessão secreta, Minc disse que não votará nada relativo à Rio de Janeiro Refrescos e acusou Cidinha, Ramos e o PDT de tentarem desqualificar a comissão. ?Se for levar para isso, seria o impedimento de toda a CPI?, afirmou. Na parte aberta da sessão, os deputados decidiram pedir à Justiça a prisão preventiva dos fiscais acusados e ao Ministério Público Federal a prisão dos oito auditores federais suspeitos. Também decretaram a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico dos cinco funcionários do Estado, de 75 fiscais que foram da Inspetoria de Contribuintes de Grande Porte e da cúpula da Secretaria da Fazenda de 1999 a 2002.