Nacional
Renan defende isen��o e equil�brio
Brasília, DF ? Considerado pelo Palácio do Planalto um dos poucos com capacidade de barrar o processo de impeachment de Dilma Rousseff, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou ontem que, sem a caracterização de crime de responsabilidade, ?o nome, sinceramente, não é impeachment?. ?Quando não há caracterização do crime de responsabilidade, não é impeachment. O nome deve ser outro?, repetiu em seguida. Questionado se poderia ser chamado de ?golpe?, como os petistas tem classificado o processo, Renan não respondeu. O senador esteve na tarde ontem com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está em Brasília desde segunda (21), quando assumiu informalmente a articulação política do governo, após ter sido impedido, por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de assumiu o comando da Casa Civil. O ex-presidente José Sarney (PT) também participou do encontro. Os três conversaram sobre a situação política e formas de impedir o impeachment de Dilma. Renan é um dos pouco peemedebistas que ainda defende a continuidade do partido na base aliada e se posiciona publicamente contrário ao afastamento da presidente. Em conversas com aliados, sempre demonstra preocupação com o futuro do País. Essa posição também é partilhada por Sarney. O ex-presidente do PMDB é amigo de Lula e Dilma e não tem uma boa relação com o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), que assume o cargo em caso de impeachment. Renan, investigado em sete inquéritos no STF, defende ?isenção, equilíbrio, responsabilidade e bom-senso?. Seu correligionário, Eduardo Cunha (RJ), presidente da Câmara, admitiu o processo e trabalha para acelerar a tramitação na comissão especial instalada na última semana. Atualmente, o processo está no prazo de defesa da presidente Dilma ? são dez sessões plenárias da Câmara. Em seguida, são cinco sessões deliberativas da Câmara para que a comissão especial se pronuncie a respeito. Passada essa fase, chega a vez de todos os deputados opinarem. Caso 342 deputados votem contra a petista, o processo segue para o Senado, que vai decidir instalá-lo ou não. Se a maioria dos senadores votar favorável à continuidade do impeachment, Dilma é afastada por 180 dias, período durante o qual o Senado julgará o caso e decidirá se a afasta de vez do cargo ou não.