Nacional
Lula diz a congressistas que o pa�s vive dias de incertezas
Brasília ? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva leu ontem aos deputados e senadores, na reabertura do Congresso Nacional, uma mensagem dura, alertando para a piora no cenário econômico internacional, para o risco de volta da inflação e preparando o país para um aperto fiscal que durará ?o tempo necessário?. ?Teremos tempos difíceis pela frente. O mundo entrou em um período de maiores incertezas?, previu Lula, em referência à provável guerra dos Estados Unidos contra o Iraque. Apesar disso, o presidente procurou manter-se otimista, afirmando que as ?pedras? que se avolumam no caminho de seu governo poderão ser removidas caso exista um ambiente de união nacional que possibilite a aprovação das reformas tributária e previdenciária. Foram 21 minutos de um discurso lido sem a ajuda dos óculos, que o presidente deixou para trás ao sair apressadamente do Palácio do Alvorada, após ter passado a manhã revisando o texto com a ajuda de auxiliares. Recheado de frases de efeito, o discurso de Lula procurou defender a política econômica de seus primeiros 48 dias de governo, em que foram promovidos aumento na taxa de juros, elevação da meta de superávit primário e o corte de R$ 14,1 bilhões no Orçamento, grande parte na área social. Foram medidas duras, como reconheceu o presidente, adotadas tendo em vista o risco de retorno do ?vírus da inflação?. ?A estabilidade da moeda encontra-se ameaçada. O vírus da inflação voltou a ser uma ameaça real para o organismo econômico brasileiro?, declarou o presidente. Dando a senha para o provável novo aumento das taxas de juros pelo BC, Lula afirmou que ?medidas duras como essas durarão o tempo necessário.? Mesmo com todo o chamado ao realismo econômico, o presidente procurou reafirmar o componente social de seu governo. Disse que combater a inflação não é um fim, mas ?pré-condição para o crescimento da economia em bases sustentadas?. +++ Tópicos do discurso Austeridade ? ?Estamos fazendo enorme esforço para conduzir o país por uma transição criteriosa e segura. (...) Temos plena consciência da dureza do contingenciamento orçamentário feito na última semana. A determinação de fazer um superávit primário de 4,25% do PIB é indispensável para impedir que a dívida pública cresça, como aconteceu nos últimos anos. Quero, hoje, reafirmar que medidas como essa durarão o tempo necessário.? Guerra ? ?Teremos tempo difícil pela frente. O mundo entrou em um período de maiores incertezas. A situação internacional se agravou com o anúncio de uma nova guerra, o que já está produzindo consequências dolorosas para a economia mundial. (...) São mais pedras no nosso caminho, que temos que remover, e vamos remover, com as políticas adequadas que temos adotado, com dedicação e com o aumento da nossa coesão social.? Crise econômica ??A estabilidade da nossa moeda nacional encontra-se ameaçada. As pessoas assistem inquietas à diminuição do poder de compra de seus salários, com a alta de muitos preços. O vírus da inflação voltou a ser, desde o final do ano passado, uma ameaça real para o organismo econômico brasileiro. O câmbio ainda permanece instável e distorce nosso sistema de preços internos.? Esperança ? ?Venho ao Congresso Nacional com o mais nobre dos sentimentos que aprendi em toda a minha trajetória de vida de de luta. O sentimento de que não importa quantas pedras a gente tenha pelo caminho, é preciso sempre manter o olhar no futuro e na esperança. O sentimento de que é preciso acreditar no ser humano e na sua capacidade de realização em qualquer circunstância, com o vento a favor ou com o vento contra.? Reforma Tributária ? ?O Brasil precisa de uma reforma que desonere o investimento produtivo e o trabalho, que simplifique os mecanismos de arrecadação e estimule o aumento da produtividade e da competitividade externa da nossa economia, melhorando a distribuição de renda.(...) ê preciso reduzir os espaços para a tão problemática guerra fiscal, buscando uma convergência capaz de harmonizar as relações no interior da Federação.? Reforma previdenciária ? ?Temos que garantir um sistema justo e sustentável, que assegure o pagamento das aposentadorias e pensões das atuais e das futuras gerações. Se o custeio do sistema não for devidamente equacionado, muito em breve não haverá dinheiro para pagar as pensões, os benefícios e as aposentadorias.? Conselho x Congresso ? ?Tenho certeza de que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que instalamos na semana passada, terá importante papel a cumprir. Esse Conselho é um órgão de assessoramento do presidente, a exemplo do que ocorrem em várias das maiores democracias do mundo. Mas não vai, em hipótese alguma, substituir nem tampouco relativizar o poder do Congresso Nacional.? Crise social ? ?Vivemos uma aguda crise social, educacional e de segurança pública, sobretudo nas grandes metrópoles brasileiras. Como podemos ficar indiferentes quando vemos parte de nossa preciosa juventude ser arrastada para o mundo do crime da marginalidade social? (...) Como podemos permanecer indiferentes aos mais de 40 milhões de brasileiros e brasileiras abaixo da linha da pobreza?? União nacional ? ?Esta é a hora de cada brasileiro e brasileira pensar menos em si mesmo e mais no país... Louvável tem sido a conduta política dos governadores e governadoras, prefeitos e prefeitas, de todos os partidos, que vêm colocando seus compromissos com a nação acima de seus interesses particulares. (...) Temos desafios de ordem econômica e social tão complexos, tão graves, que por si só exigiriam a união de todos nesta Casa e no país.?