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Presidente do TSE defende que reforma pol�tica deve ser revista
Brasília ? Algumas mudanças no sistema eleitoral brasileiro aprovadas pelo Senado, e enviadas à Câmara, podem acabar piorando o quadro político, na opinião do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nelson Jobim. Ele participou ontem de reunião organizada pelas bancadas de apoio ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT, PL, PTB, PSB, PDT e PPS) com o objetivo de discutir a reforma política. Jobim questionou, por exemplo, o modelo de financiamento público das campanhas eleitorais. Apresentando aos senadores diversas simulações de como funcionaria o sistema caso fosse implementado da maneira como foi aprovado pelo Senado, tentou demonstrar que os valores seriam insuficientes para cobrir as despesas feitas pelos partidos e candidatos. Se os termos do projeto forem mantidos, a União desembolsaria R$ 7,76 por eleitor, num total de R$ 800 milhões, sendo que 30% seriam destinados aos diretórios nacionais dos partidos e o restante seria distribuído entre os diretórios regionais. Alagoas, por exemplo, receberia R$ 600 mil para financiar as campanhas a governador, senadores, deputados federais e estaduais, conforme o ministro. Filiação O presidente do TSE também defendeu uma revisão do projeto aprovado pelo Senado que exige do candidato filiação no mesmo partido nos quatro anos anteriores à eleição. O mecanismo funcionaria para o Senado, mas não para a Câmara, no seu entender. O líder do PT no Senado, Tião Viana (AC), afirmou que a reforma política é prioridade do Senado para o primeiro semestre, uma vez que as atuais regras são uma herança da década de 30. Segundo disse, os líderes tentarão estabelecer um pacto para aprovar a matéria no que for unânime. ?Temos o dever de atualizar o processo eleitoral. Temos que ser pontuais no que é consenso e, assim, contribuir para a modernização da estrutura político-partidária. Mas precisamos ter o cuidado de revisar modificações que podem ser um grande erro?, disse. Tião Viana é favorável ao financiamento público das campanhas eleitorais, mas afirmou que, se forem mantidas as regras aprovadas pelo Senado, o resultado será o caos. De acordo com o líder do PT, os recursos não assegurariam o mínimo suficiente para garantir uma campanha eleitoral e isso poderia ser um grande estímulo à corrupção. O Acre, por exemplo, receberia R$ 169 mil, o que, de acordo com Tião Viana, não dá para pagar metade das horas de vôo consumidas em viagens aos municípios.