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Lula quer Fome Zero como um fato pol�tico

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Brasília ? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a rebater, ontem, as críticas feitas às primeiras ações de seu governo, sobretudo as relativas ao programa Fome Zero. ?Se acabar com a fome fosse fácil assim, o problema não teria ficado para nós resolvermos. Alguém teria feito isso por nós?, afirmou durante a primeira reunião do Conselho de Segurança Alimentar (Consea). Para o presidente, a fome tem que se tornar um problema político, caso contrário não será solucionada. Apesar de considerar a fome um desafio, Lula lembrou que a todo momento recebe demonstrações de populares interessados em ajudar a combatê-la. Todas perguntam como podem ajudar, o que deixa o presidente otimista. ?O governo pode fazer muito, mas por mais que faça, não tem a força da sociedade?, enfatizou. O presidente Lula lembrou que a fome já vem sendo discutida há anos no mundo, e ainda assim continua crescendo porque não existe o comprometimento real de todos os setores da sociedade para vencê-la. Como exemplo, Lula citou o compromisso firmado por líderes de grandes países reunidos na Itália, em 1996, quando estabeleceram como prazo o ano de 2015 para reduzirem 50% da fome no mundo. Em recente encontro com representantes da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o presidente foi informado de que ?o fracasso desta meta foi tão grande? que os novos cálculos estenderão o prazo até o ano de 2050. ?Nós não vamos esperar nem 2015, nem 2050. A gente pode até não fazer tudo que queria fazer (...) mas você pode ter a certeza de que estarei fazendo tudo que posso?, afirmou. Sobre as críticas de que o Fome Zero é apenas uma ação paternalista do novo governo, Lula reafirmou que está apenas começando e garantiu que vai adotar medidas estruturais para ?ensinar aqueles que têm fome a pescar?. ?(Vencer a fome neste país) é que nem colher uma fruta. Não adianta colher a fruta verde, porque a gente vai comer, não vai gostar e vai jogar a fruta fora. Estamos num processo de amadurecimento?, resumiu. Cadastramento O Consea vai apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dentro de 30 dias, uma análise sobre o que pode ser feito no país no universo do Plano de Safra 2003. ?Foi instalado um grupo de trabalho para oferecer ao presidente uma visão sobre o Plano de Safra deste ano?, disse o presidente do Consea, Luiz Marinho. Além de criar o grupo de trabalho, os membros do Consea aprovaram a inclusão do ?recorte de gênero? no regimento interno do órgão. Segundo a ministra Emília Fernandes, da Secretaria Especial de Direitos da Mulher, os membros do conselho aprovaram a sugestão de entregar preferencialmente às mulheres os cartões-alimentação do programa Fome Zero. A ministra esclareceu que será necessário fazer uma campanha de documentação das mulheres, como forma de facilitar o cadastramento das chefes de família no Fome Zero. Moção de apoio Os membros do Consea aprovaram moção de apoio ao ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano. O presidente do Consea, Luiz Marinho, lembrou que, em razão de ?uma frase infeliz?, o ministro vem sendo criticado e que, por isso, os demais membros do Consea resolveram aprovar o documento para apoiá-lo. No inicío deste mês, durante um evento na sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o ministro foi considerado preconceituoso com os nordestinos por ter feito a seguinte afirmação: ?Temos que criar emprego lá (no Nordeste), temos que gerar oportunidades de educação lá, temos que gerar cidadania lá, porque, se eles continuarem vindo para cá, nós vamos ter de continuar andando de carro blindado?. No mesmo dia, Graziano divulgou nota oficial para esclarecer a declaração, mas, ainda assim, as críticas permaneceram.

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