Nacional
Dilma defende biografia e nega crime de responsabilidade
Brasília, DF ? Afastada do poder há mais de cem dias e com poucas chances de mudar o desfecho da crise política, a presidente Dilma Rousseff usou a ida ao Senado ontem para defender sua biografia e dizer ter sido vítima de um golpe parlamentar orquestrado pela oposição ao seu governo e pelo deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A petista lembrou de sua condenação pelo ?tribunal de exceção? da ditadura e de sua recente luta contra um câncer. Afirmou que, primeiro torturada, e depois, doente, teve medo de morrer. Relacionando os episódios ao momento atual, concluiu: ?Hoje, eu só temo a morte da democracia?. Dilma foi recebida por um plenário silencioso e sem aplausos ou vaias, fez um discurso de 47 minutos em que afirmou ser inocente, disse que não cometeu crime de responsabilidade e chamou o governo do presidente interino, Michel Temer (PMDB), de ?usurpador?. A previsão é a de que Temer tenha hoje, ou na quarta, 31, caso o julgamento se estenda, no mínimo 59 votos a favor da destituição de Dilma dos 81 possíveis, cinco a mais do que o necessário para ele ultrapassar a interinidade. ?Tenho a consciência tranquila. Não pratiquei nenhum crime de responsabilidade. As acusações dirigidas contra mim são injustas e descabidas. Cassar em definitivo meu mandato é como me submeter a uma pena de morte política?, sustentou Dilma. Em linhas gerais, a presidente afastada afirmou aos senadores a tese de que, desde o início do seu segundo mandato, foi alvo de ?boicote? político e parlamentar patrocinado por adversários, o que, segundo ela, contribuiu para o agravamento da crise econômica pela qual passa o País. Dilma fez questão de se dirigir aos senadores com respeito e ponderação e os diferenciou da junta militar que a condenou na ditadura. ?Tenho por todos o maior respeito, mas continuo de cabeça erguida, olhando nos olhos dos meus julgadores. Sofro de novo com o sentimento de injustiça e o receio de que, mais uma vez, a democracia seja condenada junto comigo?, disse. Ao concluir seu pronunciamento, foi aplaudida por aliados, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o cantor e compositor Chico Buarque, que assistiram a Dilma da galeria do Senado.