Nacional
Senado cassa mandato de Dilma
Brasília, DF ? Nove meses após o início da tramitação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados e três meses e meio depois do afastamento provisório dela, o Senado condenou a petista, por 61 votos a 20, por crime de responsabilidade pelas chamadas ?pedaladas fiscais?, que são o atraso no repasse de recursos do Plano Safra a bancos públicos, e pela edição de decretos de créditos suplementares sem aval do Congresso. Foram 7 votos a mais do que o mínimo necessário, que era de 54 das 81 cadeiras do Senado. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que vinha fazendo mistério se votaria ou não, acabou optando pela cassação da petista. Na sequência, os senadores votaram pela manutenção do direito de Dilma exercer funções públicas, o que inclui disputar cargos políticos, segundo a assessoria do Senado. Foram 42 votos pela perda do direito de exercer funções públicas, 12 a menos do que seria necessário. Votaram contra 36 senadores e houve 3 abstenções. Dessa forma, mesmo tendo sofrido impeachment, a petista poderá exercer cargos públicos, como de ministra e secretária estadual. Dilma também não está inelegível, ou seja, poderá concorrer às eleições novamente, caso deseje. A votação em separado ocorreu porque senadores aliados da presidente cassada apresentaram destaque no plenário, antes do início da votação, pedindo para que o impeachment e a inabilitação para funções públicas fossem analisadas em duas etapas diferentes. Essa é a segunda vez na história que um processo de impeachment resulta na queda do chefe do Executivo. Fernando Collor de Mello (1990-1992) renunciou horas antes da votação do seu processo, mas o Senado decidiu à época concluí-la, o que culminou na condenação por crime de responsabilidade.