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C�ncer de intestino � terceiro que mais mata mulheres no Brasil

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Os brasileiros se comoveram ano passado com o caso da apresentadora Ana Maria Braga, que enfrentou um câncer no canal anal. Apesar de não ser tão comum como outros tumores, o câncer no intestino é o terceiro tipo que mais mata as mulheres no Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer para 2001. O número de mortes é superado apenas pelo câncer de mama e pulmão. Segundo a cirurgiã do aparelho digestivo, Adriana Cordeiro Pinotti, do Hospital das Clínicas e Hospital e Maternidade São Camilo, a maioria dos tumores do intestino são malignos e silenciosos. ?A pessoa só começa a apresentar os sintomas depois que o câncer chega a um estágio avançado?, explica a médica. A doença costuma atingir mais o intestino grosso do que o delgado. No primeiro caso, o câncer pode atacar o lado direito da estrutura - distante de sua terminação - e o esquerdo - próximo do reto. Geralmente, os sinais do problema aparecem na forma de sangramentos, muitas vezes imperceptíveis, pois vêm junto com as fezes. ?As pessoas com mais de 50 anos são as principais vítimas e nem sempre dão atenção ao sangramento, pois acreditam que é problema de hemorróida. É importante lembrar que só um especialista pode dar o diagnóstico correto?, lembra Adriana. Quando o tumor está localizado no lado esquerdo, o indivíduo apresenta emagrecimento, enquanto que se o câncer está no lado direito, a pessoa também tem anemia. A doença pode aparecer no canal anal e os sinais se resumem em dor local, estreitamento das fezes e sangramento. Embora as causas ainda não tenham sido comprovadas, os médicos acreditam que alimentação pobre em fibras e rica em gorduras são fatores desencadeantes desse tipo de câncer. Além disso, o problema está associado à herança genética e à presença de pólipos na estrutura. Metástase Outro ponto preocupante do câncer no intestino é a freqüente ocorrência de metástase. Isso significa que o tumor tem grandes chances de se espalhar para outros órgãos, como bexiga, fígado, estômago e útero. O tratamento para o problema geralmente se baseia em cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Em alguns casos, opta-se primeiro por métodos não cirúrgicos para que ocorra a redução da lesão. Em outros, a operação precisa ser imediata. Cada vez mais os estudiosos estão relacionando a alimentação ao risco de desenvolvimento do câncer. No caso do tumor no intestino a história não é diferente. Pesquisadores americanos descobriram que uma substância chamada luteína, encontrada no brócoli, espinafre, tomate, cenoura, alface e laranja, ajuda a evitar o câncer no cólon (parte do intestino grosso situada entre o ílio e o reto). Segundo os estudos, a luteína tem propriedades antioxidantes e age diretamente na membrana das células que recobrem o intestino. Dessa forma, a região fica menos suscetível ao ataque dos radicais livres. Para os médicos, o hábito alimentar está entre os principais fatores que elevam o risco de câncer. Por isso, deve-se evitar uma dieta rica em gordura e priorizar o consumo de frutas, verduras, pães, cereais e grãos. Uma das principais disfunções do intestino é a prisão de ventre, causada geralmente por dieta inadequada e utilização de alguns medicamentos. Apesar da crença de que intestino normal é aquele que funciona todos os dias, os médicos levam em conta diversos aspectos para chegar ao diagnóstico. O mais importante é a alteração do padrão de funcionamento intestinal - aspecto que varia para cada pessoa. Na maioria dos casos, a constipação ou prisão de ventre é provocada por uma dieta rica em massas, carnes vermelhas, doces, alimentos industrializados e pobre em cereais, frutas e legumes. Segundo os médicos, mais de 50% dos pacientes que chegam aos consultórios com esse quadro melhoram somente com mudança na alimentação. Medicamentos usados no tratamento de depressão, pressão alta e antiácidos à base de alumínio também podem mudar o funcionamento do intestino, assim como a idade. O envelhecimento causa perda de elasticidade da musculatura abdominal e do reto, modificando o reflexo responsável pelo desejo de evacuar. Caso o órgão se mantenha bastante alterado durante várias semanas, a procura por um especialista é necessária, já que pode indicar doenças mais sérias, que vão de inflamações a tumores. É importante lembrar que os laxantes só devem ser usados por indicação médica e de maneira controlada. Sua utilização exagerada vicia o intestino e causa uma constipação crônica de difícil tratamento. Doenças são comuns O intestino é alvo de muitos vermes, comuns nas áreas rurais e periféricas do Brasil. Conhecida como verminose, a doença atinge principalmente as crianças, provocando sintomas incômodos e complicações sérias para qualquer paciente. Segundo os médicos, os vermes mais comuns são a tênia, acaris, acilóstomos e oxiúros. Apesar dos nomes complicados, sua ação é facilmente entendida, pois eles se acomodam no intestino e se alimentam dos nutrientes que seriam utilizados pelo ser humano. Como conseqüência, o paciente perde peso e fica fraco. Já a disenteria é causada por microorganismos, como a ameba (um protozoário transmitido por água poluída e alimentos mal lavados), e diversas bactérias. Os principais sinais do problema são cólica, fezes líquidas e até mesmo com sangue, devido às lesões causadas pelo contato com os microorganismos. Quando a pessoa apresenta disenteria é necessária a aplicação de soro para combater a desidratação (grande perda de líquido do corpo), conseqüência comum para este quadro. Inflamação Quando a inflamação no intestino não ocorre pela ação de microorganismos, provavelmente o paciente pode estar sofrendo da doença de Crohn ou da retocolite ulcerativa. Trata-se de dois processos inflamatórios que provocam diversos sintomas, principalmente sangramento intestinal. O primeiro ataca partes isoladas do órgão e o local mais comum é o íleo terminal - espécie de área de transição do intestino delgado para o grosso. Apesar de sua causa ainda não ser totalmente conhecida, os gastroenterologistas acreditam que o próprio sistema imunológico do indivíduo ataca os tecidos da estrutura. A dificuldade de tratamento da doença está no diagnóstico. Segundo os médicos, não existem exames específicos para detectar o problema. A primeira tentativa para controlar o mal é a utilização de medicamentos, que combatem a inflamação e evitam a progressão das lesões. Já a retocolite ulcerativa pode ser diagnosticada facilmente, com o uso de um colonoscópio - aparelho que mostra as imagens da doença. Isso acontece porque o problema atinge apenas o intestino grosso. Os pacientes portadores da retocolite têm uma freqüência maior de evacuações e sangramentos do que as pessoas com a doença de Crohn. Eles também correm mais riscos de desenvolver câncer, o que torna necessária a freqüente visita ao médico.

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