Nacional
Carnavalescos fazem vaiv�m em escolas
Oitenta minutos. É esse o tempo máximo que uma escola de samba do grupo especial pode levar para atravessar o Sambódromo do Rio de Janeiro. Quando os fogos de artifício estouram anunciando o começo do desfile, um ano de trabalho de cerca de 500 pessoas entra em jogo. E mal acaba a festa na avenida das campeãs, tudo começa outra vez para o próximo carnaval. Logo após o desfile das campeãs começa uma espécie de frisson entre os carnavalescos. É comum haver troca-troca entre as escolas. Este ano, por exemplo, Chico Spinosa deixou a Viradouro pela Mocidade; Renato Lage saiu da Mocidade e foi para o Salgueiro, que deixou Mauro Quintaes partir para a Viradouro. ?O Salgueiro está comemorando 50 anos e quis um carnavalesco de peso para incrementar essa homenagem. Por isso, saí da escola para o Renato entrar?, admitiu Mauro Quintaes. ?Mas não rola ressentimento. São coisas do carnaval?. A maioria dos carnavalescos trabalha sem contrato. Uma exceção é a Mangueira, que garantiu o passe de Max Lopes até 2004. ?O carnavalesco é chavíssimo, porque ele desenvolve todo o enredo?, explicou o presidente da Mangueira, Álvaro Caetano. Para Quintaes, já passou o tempo em que o carnavalesco era assim tão importante. ?Já fomos estrelas. Hoje, somos funcionários. Batalhar contrato é angustiante?, resumiu o carnavalesco da Viradouro, escola que levará a vida de Bibi Ferreira para a avenida. ?Hoje, nem sempre o que sugerimos é o aceito e, na maioria das vezes, o trabalho chega pronto?, endossou Jaime Cezário, carnavalesco da Caprichosos de Pilares, cujo enredo é ?Zumbi, Rei de Palmares e herói do Brasil, a história que não foi contada?.