Nacional
Governo vai testar poder pol�tico no Congresso
Brasília - Com o fim do recesso carnavalesco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai testar seu poder de articulação e conferir se a área política do Governo está funcionando. A partir de 10 de março, temas polêmicos vão preencher a agenda do Congresso e exigirão esforço concentrado do Executivo para não deixar que escândalos políticos atrapalhem o trâmite das medidas listadas como prioritárias, a exemplo das reformas constitucionais. O Planalto deve cobrar da Polícia Federal uma conclusão rápida do inquérito que apura o envolvimento do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) no escândalo dos grampos telefônicos ilegais na Bahia. A agilidade é necessária para evitar que, se o caso for enviado ao Conselho de Ética do Senado, um possível pedido de abertura de processo de cassação engesse a pauta do Congresso. A idéia é não permitir que o ?Bahiagate? polua a imagem do Governo e mostrar que, mesmo tendo recebido o apoio do senador na campanha presidencial, o partido não será conivente caso seja comprovada sua participação na fraude. Isso precisará ser feito sem gerar brigas políticas. Caberá ao ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, conquistar a harmonia com o Legislativo para garantir maioria na Câmara e no Senado e, somente assim, conseguir aprovar as mudanças na Previdência e na área tributária. Para isso, precisará do apoio do PMDB para não ser ameaçado pela oposição nas votações em plenário. Os peemedebistas deram prazo de até 15 dias após o Carnaval para decidir de que forma será a participação do partido no Governo. A expectativa é de que, já a partir desta quinta-feira, as críticas comecem a ser mais fortes, enfocando, principalmente, contradições no discurso do PT antes e depois das eleições. Oposição tucana As falhas no programa Fome Zero, maior bandeira do Governo, e a cobrança para que o programa de Governo seja explicitado também estarão no discurso. O PSDB deverá puxar o tom dos ataques. Mas a idéia inicial, revela uma fonte tucana, é não criar um ?porta-voz? dentro do Congresso, para evitar rotular alguns membros do partido como radicais. Fora do ambiente legislativo, no entanto, se a cúpula do partido seguir a orientação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - maior nome do tucanato - o ex-senador José Serra (SP) poderá liderar a oposição. Serra, que foi o maior opositor de Lula durante a campanha presidencial, se prepara agora para disputar a presidência do partido. Até o momento, o entendimento no ninho era de que ainda não estava na hora de criticar fortemente o Governo ? respeitando o período de ?lua-de-mel? da população com o presidente Lula ? e Serra vinha mantendo-se na retranca, com falas moderadas. ?Não dá ainda para fazer uma avaliação bastante clara do que está acontecendo, mas espero que propósitos como o crescimento econômico e o combate à pobreza possam ser cumpridos?, disse Serra em Washington (EUA), na última semana. Na entrevista, publicada pelo site do partido, a informação é de que o ex-senador foi aos Estados Unidos para rever Fernando Henrique Cardoso pela primeira vez, desde o fim do Governo e a mudança temporária do ex-presidente para Paris. Os dois têm mantido contato por telefone.