Nacional
Crivella � eleito prefeito do Rio
Rio de Janeiro, RJ ? O senador Marcelo Crivella (PRB) foi eleito para a Prefeitura do Rio com 59,37% dos votos válidos. O candidato da bancada religiosa vence Marcelo Freixo (PSOL), que contabiliza 40,63% dos votos válidos na capital fluminense. O Rio foi às urnas ontem, depois da mais dura campanha de sua história recente, marcada por ataques que misturaram religião, política e discussões sobre raça, gênero e sexo. Favorito, Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal, passou os últimos anos tentando descolar sua imagem da instituição e defendendo a tolerância, cercando-se de intelectuais de esquerda e personalidades do samba e até de religiões afro-brasileiras. Enfrenta o socialista Freixo, que procura se livrar da pecha de radical, aproximando-se de economistas liberais e rejeitando a associação de seu nome aos black blocs, acusação que enfrenta desde as manifestações de 2013. Para o cientista social Paulo Baía, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), essa foi uma disputa atípica. O primeiro turno foi marcado pela discussão da ?não política?, em que os candidatos procuraram desqualificar os políticos e partidos e prometeram governo ?não partidário e não ideológico?, diz. ?No segundo, mudou o cenário. Usaram o que chamo de publicidade de combate. As campanhas foram muito agressivas na desconstrução do adversário. Políticas e projetos ficaram de lado, fortalecendo o descrédito da população com a política?. O segundo turno começou com debate morno entre Crivella e Freixo. A partir de então, o socialista passou a receber a colaboração de ex-assessores das campanhas do PMDB e do PSDB e mudou a sua estratégia, conforme o Estado revelou. A aposta foi na desconstrução de Crivella. Chamou a atenção para seus aliados, como o ex--governador Anthony Garotinho (PR), e reproduziu vídeo em que o evangélico recebe apoio de família de milicianos. O senador se viu acuado. Passou a se recusar a participar de debates. Nas ruas, não respondia mais a perguntas dos repórteres. As pesquisas indicavam que a estratégia de Freixo surtiu efeito e a vantagem para o rival começava a cair. Houve o acirramento da campanha, em que Freixo foi apresentado como defensor de black blocs, do aborto, acusado de ter embolsado parte do dinheiro arrecadado para ajudar a família do pedreiro Amarildo de Souza e de nepotismo, por ter supostamente conseguido emprego para a ex-mulher em um gabinete do PSOL. Na pesquisa seguinte, eles apareceram estacionados e a diferença só voltou a cair no levantamento de sábado, 29.