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Temer: pris�o de Lula pode gerar instabilidade
São Paulo, SP ? O impacto da Operação Lava Jato sobre o governo foi um dos principais temas da entrevista concedida pelo presidente Michel Temer ao programa Roda Viva, da TV Cultura, e exibida na noite de segunda-feira, 14. Temer disse que uma eventual prisão do ex-presidente Lula poderá causar um clima de instabilidade no País, e pediu ?naturalidade? na condução do processo contra o petista. Ao responder sobre o pacote de projetos em discussão no Congresso e criticados por integrantes da força-tarefa da Lava Jato, como a lei sobre o abuso de autoridade, Temer assegurou que essas propostas não irão paralisar as investigações. O presidente negou que tenha cometido irregularidades ao receber R$ 11 milhões de duas empreiteiras, na campanha de 2014, e disse que ninguém deve ser ?morto politicamente? só por ser investigado, numa referência a ministros e apoiadores de seu governo que tiveram os nomes citados por delatores. ?Não é que eu defenda a Lava Jato. Defendo a atividade do Judiciário e do Ministério Público?, afirmou o presidente Temer, que, em relação ao possível envolvimento de pessoas de seu governo na investigação, comentou: ?Vamos deixar o Judiciário trabalhar. E vamos trabalhar no Executivo. Se acontecer alguma coisa, paciência?. Temer evitou falar sobre as acusações contra Lula, mas reconheceu que a prisão do petista provocaria instabilidade. ?O que espero, e acho que seria útil ao País, é que, se houver acusações contra o ex-presidente Lula, que elas sejam processadas com naturalidade. Aí você me pergunta: ?Se Lula for preso, causa problema para o País?? Acho que causa. Haverá movimentos sociais. E toda vez que você tem um movimento de contestação a uma decisão do Judiciário, pode criar uma instabilidade?. Questionado sobre duas citações a seu nome em investigações, Temer afirmou que uma doação de R$ 10 milhões feita pela Odebrecht destinava-se ao Diretório Nacional do PMDB, o que pode ser comprovado pela prestação de contas, segundo ele. E confirmou que o partido também foi o destinatário de um cheque de R$ 1 milhão da Andrade Gutierrez, investigado no processo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que avalia as contas da chapa de Dilma Rousseff, da qual fazia parte, em 2014.