Nacional
Falta de agilidade do governo estimula invas�es
Londrina - As invasões a propriedades rurais e a sedes do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) nos últimos dias estão diretamente ligadas à falta de ?agilidade? do governo Luiz Inácio Lula da Silva no enfrentamento dos problemas sociais do país, de acordo com o economista João Pedro Stedile, membro da direção nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). ?Os episódios são naturais, normais?, disse Stedile. Segundo ele, que no último mês havia dito que o governo federal precisava ?andar mais rápido? em relação à reforma agrária, um agravante para o atual quadro no campo foi o clima de indefinição que predominou nos últimos seis meses nas 29 superintendências regionais do Incra em todo o país. ?A rigor, desde outubro [do ano passado], ninguém decide mais nada nos Incras. Antes, pelas eleições, e depois, pela demora dos novos [superintendentes] em tomar posse.? Somente na última semana os responsáveis pelos órgãos nos Estados começaram a ter suas nomeações divulgadas no ?Diário Oficial da União?. O anúncio dos nomes havia sido feito em meados do mês passado. Stedile afirmou que, por falta de assuntos políticos durante o Carnaval, a imprensa tem exagerado na repercussão das invasões. ?Os episódios [invasões] que aconteceram são naturais, normais, não fazem parte de nenhuma nova campanha. Cada qual teve sua razão específica. Sempre houve e continuará havendo ocupações enquanto existirem grandes propriedades improdutivas de um lado e milhões de sem-terra de outro.? Sobre as invasões às sedes do Incra em Cuiabá e Goiânia, Stedile afirmou: ?Também são parte normal, em situações em que o governo não está tendo agilidade suficiente para tratar a gravidade que os problemas sociais exigem?. Durante o Carnaval, trabalhadores rurais ligados ao MST invadiram áreas em São Paulo, no Paraná e em Santa Catarina, além das sedes mato-grossense e goiana do Incra. ### MST: mulheres invadem sede do Incra em PE Recife - Trabalhadoras rurais invadiram ontem a sede do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Recife para reivindicar agilidade no processo de reforma agrária e assistência às famílias assentadas. As mulheres são ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e à CPT (Comissão Pastoral da Terra), braço agrário da Igreja Católica. Cerca de mil lavradoras, segundo as entidades, participaram da manifestação, que durou seis horas e foi realizada em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado hoje. A 1ª Vara da Justiça Federal de Marília (444 km a noroeste de São Paulo) determinou ontem prazo de dois meses a três anos para que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) elabore e inicie assentamentos em dez fazendas no Estado pertencentes à União. De acordo com o procurador da República em Marília Jefferson Aparecido Dias, autor da ação, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) estava deslocando famílias para a região e o Incra admitia acampamentos sem ter um programa de reforma agrária. Dias disse acreditar que o Incra irá recorrer da decisão, em primeira instância, por ser uma ?tendência? do órgão.