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Nº 5710
Nacional

Relator da ONU acha inaceit�vel que o Brasil conviva com a fome

Recife – O relator especial da Organização das Nações Unidas  (ONU) para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, disse ontem, no Recife, ser inaceitável e absurdo  que um país como o Brasil conviva com a fome. De acordo com o  Instituto de Pesquisas Econôm

Por | Edição do dia 09/03/2002 - Matéria atualizada em 09/03/2002 às 00h00

Recife – O relator especial da Organização das Nações Unidas  (ONU) para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, disse ontem, no Recife, ser inaceitável e absurdo  que um país como o Brasil conviva com a fome. De acordo com o  Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada (Ipea), 23 milhões de brasileiros passam fome. “Isto não é uma fatalidade, já que o Brasil é um país rico, uma potência industrial, econômica e financeira”. Para ele, a concentração de renda e de terra e a estrutura social arcaica, com a herança colonial da escravatura, são questões que levam à fome e representam problemas que precisam ser superados. As soluções ele acredita que surgirão do “fantástico laboratório” que é o País, com sua criatividade, idéias e contradições. Ziegler afirmou ter sido muito bem recebido em Brasília, onde passou uma semana. Ontem, visitou o prefeito do Recife, João Paulo (PT), o amigo pessoal e ex-governador Miguel Arraes, presidente nacional do PSB, e o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB). Encontrou-se com entidades da sociedade civil e hoje, acompanhado de membros do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), vai ver de perto a situação da Usina Aliança, na Zona da Mata, onde 600 famílias de trabalhadores rurais reclamam terra e direitos trabalhistas. A usina faliu em 1996 e o processo de desapropriação dos 21 engenhos pertencentes a usina está emperrado por causa de uma decisão judicial impetrada pelos seus proprietários. Amanhã, Ziegler vai conhecer acampamentos e assentamentos em Petrolina (PE) e Juazeiro do Norte (BA), no sertão do São Francisco. Na segunda-feira, segue para Salvador. Rio de Janeiro e São Paulo também estão no roteiro do relator, que em abril já deve apresentar um resumo do relatório do que foi visto e observado na viagem, em reunião da Comissão dos Direitos Humanos, em Genebra, Suíça. Somente no fim do ano, o relatório final será formalmente apresentado à Assembléia-Geral da ONU, com recomendações e críticas a serem encaminhadas ao governo brasileiro com referência à alimentação. “Ter direito à alimentação não o direito à cesta básica, mas o direito a uma renda mínima, ao acesso a terra”, reiterou.

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