Nacional
Lula tenta conseguir apoio do PMDB no Congresso Nacional
Brasília ? O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, confirma para amanhã o almoço com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir se o partido formará na base de apoio ao governo do PT. O senador alagoano estava com um pronunciamento para fazer ontem defendendo uma posição de independência da legenda em relação ao governo, mas resolveu deixar para a próxima semana, depois do encontro dos líderes do partido com Lula. O PT fez um mapa dos cargos federais de cada Estado do país para selar um acordo sobre a participação do PMDB no governo de Lula. Segundo um senador do PMDB, foram oferecidos superintendências, coordenadorias e diretorias em vários órgãos federais, como, por exemplo, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Para nomear indicados pelo PMDB para a Funasa, Lula precisou alterar o estatuto do órgão. Com a mudança, regulamentada pelo decreto 4.615 ? publicado ontem no Diário Oficial da União ?, os cargos comissionados da Funasa serão designados pelo ministro da Saúde, Humberto Costa. A assessoria de Humberto Costa, no entanto, nega que a mudança no estatuto faça parte do pacote de negociação entre o PT e o PMDB. Senadores do PMDB afirmam que, além da Funasa, o PT ofereceu cargos nos Estados, Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), DNITT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes), e o comando de estatais. Mesmo com tantas ofertas de cargos, o PMDB ainda não decidiu dar amplo apoio ao governo. O partido reivindica pelo menos um ministério, pedido que já foi vetado pelo governo pelo menos até meados do segundo semestre. Várias reuniões Para discutir a participação do PMDB no governo, o partido fez uma série de reuniões. Terça-feira à noite, a bancada na Câmara jantou na casa do líder, o deputado Eunício Oliveira (CE). Ontem, além da reunião da Executiva Nacional, a bancada no Senado também debateu o assunto. ?Não é isso que interessa ao PMDB. Não adianta fazer negociação no mercado persa e não fechar um apoio com a unidade?, disse um dos senadores que esteve na reunião da bancada. A negociação individual e por Estados não está vinculada a todo o partido. ?Nessas condições, um ou outro integrante do PMDB aceita apoiar o governo. Mas quando o assunto é levado para a bancada, não existe acordo?, avaliou ontem um senador, levando o líder da bancada, Renan Calheiros, diante da falta de consenso interno, a insistir na independência do PMDB, o que, na sua opinião já deveria ter acontecido.