Nacional
Lula vai adotar medidas para evitar efeitos da guerra
Brasília - Em um breve pronunciamento à nação no início da tarde de ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou seu repúdio à guerra entre os Estados Unidos e o Iraque, e declarou que o governo brasileiro está se mobilizando para evitar qualquer reflexo do conflito para o país. Acompanhado dos ministros José Dirceu (Casa Civil), Celso Amorim (Relações Exteriores), José Viegas Filho (Defesa), e do assessor especial para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, o presidente fez um discurso de cerca de quatro minutos em cadeia nacional de rádio e televisão. ?Desde que assumi a Presidência, tomei uma série de iniciativas em busca de uma solução pacífica para a crise, com pleno cumprimento pelo Iraque das resoluções do Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas]?, afirmou. Lula disse ainda que conversou pessoalmente, por telefone, com governantes de todo o mundo e com o secretário-geral das Nações Unidas [Kofi Annan], e que esteve empenhado em buscar uma solução negociada para a crise. Assim como o ministro da Defesa já havia anunciado pela manhã, Lula ratificou que ?o governo tomará providências para que o povo não sofra com os efeitos guerra?. ?Estamos cuidando do abastecimento, da vigilância das nossas fronteiras, e do apoio aos brasileiros afetados pelo conflito.? Barrados Um grupo de 30 deputados federais foi barrado no início da tarde na porta da Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília. Eles tentavam entregar um manifesto de repúdio à guerra à embaixadora norte-americana, Donna Hrink. A deputada Maria do Rosário (PT-RS) se irritou e chamou um dos seguranças de ?gorila?. O manifesto foi assinado pelo presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) e pela presidente da Comissão de Relações Exteriores da Casa, deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP). No documento, os congressistas declararam sua oposição contrária ao ataque dos EUA por entender que ?a guerra representa um retrocesso político e ético e uma barbárie contra a vida.? O documento afirma ainda que ?o conflito é uma derrota da capacidade de diálogo, do espírito humanístico e político e servirá apenas para aumentar o grau de intolerância e preconceito entre os povos.?