Nacional
Relator aponta abuso de poder na campanha de 2014
Brasília, DF ? relator da ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, ministro Herman Benjamin, afirmou ontem, durante o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que houve abuso de poder político e econômico na campanha presidencial de 2014. Durante a leitura do voto, Herman Benjamin entendeu que o PT e o PMDB acumularam recursos de propina ao longo do tempo, o que beneficiou os partidos na eleição daquele ano. O ministro chamou esses valores de ?propina-gordura? e ?propina-poupança? por terem sido captados de empresas beneficiadas em contratos da Petrobras antes da eleição. ?Os partidos que encabeçaram a coligação Com a Força do Povo acumularam recursos de ?propina-gordura?, ou ?propina-poupança?, que lhes favoreceram na campanha eleitoral de 2014?, disse Benjamin, acrescentando: ?Trata-se de abuso de poder político e ou econômico em sua forma continuada, cujos impactos, sem dúvida, são sentidos por muito tempo no sistema político eleitoral?. Por tais razões, Benjamin disse reconhecer a procedência da alegação de que houve abuso de poder político e econômico. O abuso de poder político e econômico é a principal acusação da ação apresentada em 2014 para cassar a chapa Dilma-Temer. A condenação ou absolvição da chapa, no entanto, depende do votos dos demais seis ministros do TSE: Napoleão Nunes Maia Filho, Admar Gonzaga, Tarcísio Neto, Luiz Fux, Rosa Weber e Gilmar Mendes. Na leitura do voto, Herman Benjamim também enfatizou que o abastecimento de campanhas com propina não ocorreu exclusivamente para beneficiar o PT e PMDB na eleição de 2014, mas tornou-se prática em outros partidos. Boa parte do voto de Benjamin se concentrou na leitura de depoimentos de ex-diretores da Petrobras segundo os quais houve a destinação ao PT, ao PP e ao PMDB de recursos cobrados de empreiteiras para fechar contratos na estatal.