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MAIA ACUMULA FUNÇÕES PARA NEGOCIAR REFORMA
Brasília, DF ? Mesmo substituindo Michel Temer, que partiu em missão oficial para a China, no comando do País, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tomou a frente das negociações sobre a reforma política, no vácuo de lideranças que marca a semana da Câmara. Como Temer levou na comitiva presidencial o primeiro vice da Casa, Fábio Ramalho (PMDB-MG), sobrou para o segundo vice, André Fufuca (PP-MA), a missão de concluir a votação da reforma política, que se arrasta há meses sem ter alcançado qualquer consenso. Aos 28 anos e em seu primeiro mandato, Fufuca é visto pelos próprios pares como alguém sem a devida experiência para conduzir uma votação desse porte, em um momento de crise. Acumulando atribuições, ontem, Maia utilizou a residência oficial da Câmara para se reunir com líderes partidários e discutir a pauta ? uma tarefa que, em tese, caberia a Fufuca como presidente interino. O deputado maranhense enviou ontem à noite para a Mesa da Câmara, um comunicado de adiamento da sessão para votar a reforma política. Fufuca também participa da reunião, mas, com papel secundário no jogo político, resta-lhe executar tarefas administrativas na Casa, enquanto os parlamentares mais experientes conduzem os trabalhos legislativos. NEGOCIAÇÃO Na ausência de Temer, Maia convocou o encontro de líderes na residência oficial para definir estratégias de votação da reforma política em plenário, o assunto principal da pauta dos deputados. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 77/2003, relatada por Vicente Cândido (PT-SP), opera alterações no sistema político-eleitoral, entre outras disposições criando um fundo público para financiar campanhas e modificando o sistema de voto. Multifacetada, a proposta gera divergência em todos os pontos e tem provocado sessões deliberativas conturbadas na Câmara, embora tenha avançado em pelo menos dois pontos ? a exclusão do valor de R$ 3,6 bilhões para a fonte de custeio e da fixação de mandato para tribunais.