Nacional
10% do que � gasto na guerra acabaria com fome no mundo
Brasília ? O conflito entre as tropas anglo-americanas com o regime de Saddam Hussein preocupa às autoridades brasileiras. No Senado, o líder da bancada do PMDB, Renan Calheiros, conclamou o mundo a trocar a guerra de destruição pelo combate à fome. Ele observou que os recursos necessários ao fim da fome no mundo ? US$ 40 bilhões anuais, segundo as Nações Unidas ? são bem inferiores aos US$ 500 bilhões previstos para a guerra com o Iraque e a posterior reconstrução do país. ?Como seria bom se os mísseis estivessem carregados de arroz e pão e, em vez de encouraçados de guerra, estivessem cruzando o mundo e tocando nos portos da África, Ásia e América Latina navios graneleiros. Tomara que o mundo tenha despertado e que depois do réquiem venha a aleluia da paz e da alegria? ? disse o senador alagoano. O dia 20 de março de 2003, na avaliação de Renan, ficará na história mundial como um hino à morte, tal qual aconteceu com o 11 de setembro nos Estados Unidos, principalmente em Washington e Nova Iorque e, depois, suas conseqüências com a destruição do Afeganistão. ?O mundo terá, em breve, que escolher entre o caminho da sobrevivência ou o da destruição?, alertou. Desde o início dos bombardeios sobre Bagdá que Renan ocupa seu espaço de líder do PMDB no Senado para condenar ?a intervenção militar unilateral? no Iraque. Esta semana ele voltou a conclamar os governantes norte-americanos e seus aliados ?a ouvirem a voz de milhões de pessoas por todo o mundo que pedem o cessar-fogo, uma saída pacífica para a destruição de armas de aniquilação em massa e a democratização das instituições políticas iraquianas?. ?O unilateralismo belicoso promovido pelo governo de George W. Bush redundará em um considerável aumento da tensão política no mundo, no enfraquecimento dos sistemas multilaterais de solução de controvérsias, particularmente o das Nações Unidas, e, mito provavelmente, no recrudescimento do terrorisimo?, destacou Renan. O senador alagoano voltou a advertir para os ?efeitos deletérios? dessa ação militar sobre o ?precário e complexo? desenho geopolítico no Oriente Médio, agravando conflitos preexistentes e massacrando vidas inocentes. Também chamou a atenção para o impacto negativo sobre a economia mundial, como a redução de fluxos de investimentos em países em desenvolvimento e o aumento do preço do petróleo.