Nacional
Negociação de cargos tem Maia no comando
Brasília, DF ? Em semana que pode ser decisiva para a reforma da Previdência, o presidente Michel Temer se reaproximou do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e conferiu a ele poderes para recompor os postos-chave do Ministério das Cidades. Além de emplacar o deputado Alexandre Baldy, de quem é amigo pessoal, no comando da pasta, Maia vai dividir com os partidos que compõem o chamado centrão (PP, PSD, PR, PRB, PTB e PSC) a secretaria-executiva e as secretarias de Habitação, de Saneamento, Desenvolvimento Urbano e de Mobilidade Urbana. O presidente da Câmara também vai ajudar Temer na reforma ministerial e na tentativa de segurar votos do PSDB. Temer negocia o remanejamento do ministro da Secretaria-Geral de Governo, Antônio Imbassahy, para outra pasta. Uma possibilidade é que ele assuma o lugar de Luislinda Valois, do mesmo partido, na Secretaria de Direitos Humanos. PREVIDÊNCIA O fim de semana também foi de definição de estratégias para a aprovação da reforma da Previdência, em encontros de Temer com Maia, ministros e líderes governistas. O presidente vai pedir votos dos prefeitos, que irão a Brasília amanhã; terá uma agenda com governadores e dará um jantar no Palácio do Alvorada aos deputados da base de apoio, presidentes da Câmara e do Senado e ministros. No encontro, o economista José Márcio Camargo e a equipe técnica do Ministério da Fazenda vão falar da necessidade da aprovação da reforma da Previdência para o País. A reaproximação de Temer com Maia, que vinha marcando terreno nas últimas semanas com a recusa de medidas provisórias e manifestações sobre a dificuldade em aprovar a reforma, surtiu efeito. Depois do encontro no sábado, Maia fez uma defesa enfática da proposta. ?Sem a reforma da Previdência, o Brasil vai quebrar, não chega a 2019. Vamos mostrar os números para os partidos da base. Os brasileiros de menor renda precisam da reforma? disse Maia ao Globo. Segundo interlocutores, no encontro com Temer, ministros e líderes, Maia sugeriu iniciar a votação da reforma na primeira semana de dezembro. Hoje, Maia reunirá os líderes dos partidos da base para discutir a proposta. A intenção é fechar o texto no jantar de quarta-feira. Todos os detalhes estão sendo fechados com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que esteve ontem à noite na casa de Maia. Além de idade mínima (65 anos para homens e 62 anos para mulheres) com regra de transição, a equipe econômica quer a convergência de regras entre setor privado e público, mudanças do cálculo da aposentadoria, alterações no valor da pensão e teto para acumular benefícios. Para facilitar a votação, foram retirados da proposta trabalhadores rurais e benefícios assistenciais (pagos a idosos de baixa renda). CENTRÃO Segundo o vice-líder do governo na Câmara, Pauderney Avelino (DEM-AM), Maia ficou com a responsabilidade de ?pilotar? os partidos do centrão a favor da aprovação da proposta: ?O presidente Temer está muito confiante nessa condução de Rodrigo Maia?. Nas contas de um auxiliar de Temer, o Executivo teria em torno de 220 votos (já consagrados no chamado núcleo duro em votações anteriores). Como se trata de uma emenda à Constituição, são necessários 308 votos. Por isso, destacou o vice-líder do governo, deputado Beto Mansur (PRB-SP), é necessário carimbar pelo menos mais 100 votos para pôr a reforma em votação no plenário. Mansur também esteve com Temer domingo à noite para mostrar os números. A Executiva do PSDB se reúne amanhã para definir um posicionamento sobre a votação da reforma da Previdência. Os defensores do desembarque do governo alegam que, mesmo fora, os tucanos continuariam apoiando a agenda de reformas. Ontem, depois de receber a visita de Meirelles, Maia também recebeu o ministro Imbassahy para discutir a continuidade do PSDB no governo. O nome do atual presidente do Sesi, ex-deputado João Henrique, foi praticamente descartado para ocupar a vaga de Imbassahy na Secretaria de Governo. O líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP), defende que seja alguém com mandato, para influenciar na votação da reforma da Previdência. Já líderes de outros partidos da base, defendem que não seja um nome do PMDB, que já ocupa os dois principais cargos do entorno de Temer, Moreira Franco na Secretaria Geral, e Eliseu Padilha, da Casa Civil. O GLOBO Alexandre Baldy é apadrinhado de Rodrigo Maia Alexandre Baldy deve ir para Cidades GERALDA DOCA O GLOBO Brasília, DF ? O presidente Michel Temer bateu o martelo e colocará o deputado Alexandre Baldy (GO) no Ministério das Cidades. A conversa final ocorreu durante encontro com o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), de quem Baldy é próximo. A Pasta é cobiçada pelos partidos, devido ao orçamento do ministério. Baldy era do Podemos, mas foi indicado pelo PP. Há ainda a possibilidade de ir para o PMDB. Segundo um ministro, Temer decidiu a questão. Ontem pela manhã, Temer esteve com o ministro das Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), que poderia trocar a Pasta por Cidades. Mas a escolha de Baldy, segundo um interlocutor de Temer, está acertada. Baldy ganhou notoriedade ao ser relator do projeto que tratou da repatriação de recursos ao exterior. Ele é do grupo que costuma frequentar a residência do presidente Rodrigo Maia. Além disso, o próprio Temer foi a um jantar na residência de Baldy, no dia 9 de junho. Na ocasião, Temer disse que tinha certeza de que sairia vitorioso ainda na votação da primeira denúncia do Ministério Público contra ele. O jantar foi organizado como festa de aniversário de Rodrigo Maia. Baldy, assim, será o substituto de Bruno Araújo, que integrou o desembarque de parte dos tucanos do governo de Michel Temer. O ex-ministro pediu demissão na última segunda. Ontem, por meio de nota, a presidente do Podemos, deputada Renata Abreu (SP), anunciou que está desligando o deputado Baldy dos quadros do partido e falou da posição de independência do partido em relação ao governo. Ainda não há pronunciamento do Palácio do Planalto confirmando a ida do deputado para o ministério do governo Temer. Meirelles: reforma manterá idade mínima PORTAL TERRA Brasília, DF ? A Reforma da Previdência deverá ser pautada na Câmara dos Deputados até a primeira semana de dezembro, afirmou ontem o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reiterando que a aprovação do texto é imprescindível para o equilíbrio das contas públicas. ?Presidente (da Câmara) Rodrigo Maia (DEM-RJ) está pensando em colocar isso em votação na primeira semana de dezembro. Finalzinho de novembro, primeira semana de dezembro. E aí fazer um processo rápido de maneira a concluir a votação de primeiro e segundo turno na Câmara ainda neste ano?, disse o ministro a jornalistas, após participar de evento em Salvador. ?No Senado vamos ver. Se for possível, ótimo, melhor. Agora o importante é que se aprove nos dois turnos na Câmara dos Deputados ainda neste ano?, acrescentou. IDADE MÍNIMA Segundo Meirelles, a reforma manterá a instituição de uma idade mínima para concessão de aposentadorias, além de um período de transição e um regime único para servidores públicos e para trabalhadores da iniciativa privada. O ministro também destacou que o relator do texto na Câmara, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), deverá apresentar nesta semana sua proposta mais enxuta para a reforma. ?A reforma da Previdência visa garantir que todos os brasileiros tenham aposentadoria. Temos que viabilizar para que a Previdência possa pagar todos os brasileiros?, destacou. O ministro da Fazenda voltou a defender que a reforma irá acabar com os benefícios. Ele garantiu ainda que um novo texto da reforma teria que obrigatoriamente ter três pontos. ?Certamente a idade mínima, certamente o período de transição e a unicidade, ou seja ter um regime único pro servidor público e privado?, ressaltou. CANDIDATURA Ao ser questionado sobre eventual candidatura à Presidência, Meirelles voltou a repetir que está no momento focado em seu trabalho à frente da Fazenda. ?Inclusive para mim, para meu legado, eu acho que é importante que eu esteja concentrado 100 por cento no meu trabalho no Ministério da Fazenda, na economia brasileira, e no ano que vem aí vamos decidir como é que vamos prosseguir a partir do segundo trimestre?, afirmou. Perguntado se eventual investida seria pelo PSD, partido ao qual é filiado, ele respondeu ?não sei?. ?Temer estimula ação pró-parlamentarismo? RICARDO GALHARDO AGÊNCIA ESTADO Brasília, DF ? Partidos da oposição divulgaram ontem uma nota conjunta na qual apontam estímulo da gestão Michel Temer a uma ação no Supremo Tribunal Federal que pode abrir uma brecha para a adoção do parlamentarismo no País sem a necessidade de uma consulta popular. Segundo PT, PSB, PDT e PCdoB, a manobra é um ?golpe? que tem como objetivo impedir que o presidente a ser eleito em 2018 assuma de fato o governo. ?Trata-se de um movimento acintosamente estimulado pelo governo golpista, para impedir que um presidente legitimamente eleito pelo povo assuma o governo com os plenos poderes previstos na Constituição, como foi decidido duas vezes em plebiscitos nacionais (1963 e 1993)?, diz trecho da nota. Na terça-feira passada, o ministro do STF Alexandre Morais pediu a inclusão na pauta de julgamentos do Tribunal do mandado de segurança 22.972. A ação questiona o Supremo sobre a possibilidade de o Congresso decidir a mudança do sistema político sem a necessidade de consulta popular. O mandado de segurança de autoria do então deputado Jaques Wagner (PT-BA) foi proposto em 1997 quando partidos tentavam aprovar uma emenda constitucional implantando o parlamentarismo depois que o regime foi rejeitado pela população no plebiscito de 1993. REDISTRIBUIÇÃO Nesses 20 anos, a ação teve como relatores os ministros Néri da Silveira, Ilmar Galvão, Carlos Britto, Cezar Peluso e Teori Zavascki (morto em janeiro) até ser redistribuída para Moraes em março deste ano. Entre 2003 e 2012 não houve um andamento sequer e desde março do ano passado o mandado de segurança está pronto para ser julgado pelo plenário do Supremo. Fontes petistas lembram que dois dias antes do pedido de inclusão do tema na pauta, o ministro Gilmar Mendes esteve com Temer no Palácio do Jaburu fora da agenda oficial. Segundo a assessoria de Gilmar, o encontro serviu para tratar de ?reforma política e reformas institucionais?. Anteontem, Temer recebeu o ministro Dias Toffoli no Palácio da Alvorada. Segundo Toffoli foi ?só um bate-papo?. O ministro é vice-presidente do STF e vai assumir a presidência no lugar da ministra Cármen Lúcia em setembro. Dirigentes dos partidos de oposição lembram também que o governo Temer procura há meses, sem sucesso, um candidato com chances reais de vitória para 2018 e que os líderes nas pesquisas são da oposição. AGÊNCIA BRASIL Fernando Segóvia, diretor-geral da Polícia Federal, durante a posse Diretor da PF diz que ?uma mala? não é prova SEGÓVIA QUESTIONA MATERIALIDADE CRIMINOSA CONTRA TEMER POR CAUSA DE MALA DE DINHEIRO RENAN RAMALHO G1 Brasília, DF ? O novo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, afirmou ontem que ?uma mala talvez não desse toda a materialidade criminosa? contra o presidente Michel Temer, em referência à denúncia por corrupção passiva apresentada pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot contra o peemedebista. Em entrevista logo após a cerimônia de sua posse no Ministério da Justiça, ele comentou o episódio em que o ex-deputado e ex-assessor do presidente Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) é filmado com uma mala com dinheiro entregue por um executivo do Grupo J&F. ?É um ponto de interrogação (se a mala de dinheiro era para Temer), que fica hoje no imaginário popular brasileiro e que poderia ser respondido se a investigação tivesse mais tempo?, afirmou Segóvia. O diretor-geral cobrou mais ?transparência? da Procuradoria-Geral da República (PGR), hoje sob o comando de Raquel Dodge, na condução de investigação contra Temer. Procurado pela reportagem, Janot rebateu as declarações de Segóvia e disse que o diretor-geral ?está fazendo o que foi contratado para fazer?. Questionada sobre a declaração de Janot, a assessoria de imprensa da PF informou que não tem ?interesse em alimentar essa fogueira armada?. Raquel, que não compareceu à posse, não comentou. Quando Temer nomeou Segóvia para o cargo, seu nome foi apontado como uma indicação de políticos do PMDB, entre eles o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). A transmissão de cargo para Segóvia teve a presença de Temer, que não discursou. Segóvia se disse lisonjeado com a participação de Temer na cerimônia e informou que pela primeira vez na história um presidente participou da posse de um diretor-geral da PF. Em seu discurso, o novo diretor-geral afirmou que o ?combate à corrupção? será uma ?agenda prioritária da PF?. Sobre os atritos com o Ministério Público Federal, Segóvia defendeu uma relação harmoniosa entre a instituição e a PF para combater crimes. Receita exige dependentes com CPF a partir dos 8 anos LUCI RIBEIRO AGÊNCIA ESTADO Brasília, DF ? A Secretaria da Receita Federal determinou que todas as pessoas declaradas como dependentes no Imposto de Renda estão obrigadas a fazer sua inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). No entanto, para o exercício de 2018, ano-calendário de 2017, as pessoas físicas com menos de oito anos de idade estão dispensadas da exigência. A mudança consta de instrução normativa publicada no Diário Oficial da União (DOU) que altera uma outra IN de 2015. Até agora, a Receita exige CPF de dependentes com idade a partir de 12 anos. Pela norma de hoje, depois de 2018, todos os dependentes declarados no IR deverão ter inscrição no CPF, e não somente aqueles acima de oito anos de idade. ?A redução da idade visa evitar a retenção em malha fiscal do contribuinte declarante, possibilitando maior celeridade na restituição do crédito tributário?, diz nota da Receita . A partir da declaração de 2019, será obrigatória a inscrição no CPF ?as pessoas físicas que constem como dependentes para fins de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, independentemente da idade?. NOVAS REGRAS No último dia 14, a Receita apresentou novas normas para que o contribuinte não caia na malha fina. Em função de modificações no Código Civil, também houve mudanças nas normas de declaração de dependentes, esclarecendo procedimentos no caso de guarda compartilhada. Com as novas normas, cada filho pode ser considerado como dependente de apenas um dos pais, explica Porto. Francisco Arrighi, diretor da Fradema Consultores Tributários, lembra que o tópico é relativamente novo na área fiscal. Trata-se, segundo ele, de tema complexo, que carregava dúvidas por parte dos contribuintes e até mesmo dos especialistas do setor. A princípio, diz Arrighi, existe uma distinção entre guarda compartilhada e guarda financeira, fazendo-se necessário se estabelecer e cumprir o que estiver na decisão judicial. ?A partir de agora, encerram-se essas dubiedades, especialmente a que rege os gastos relativos aos filhos em guarda compartilhada, sendo possível a dedução (como dependente) apenas por aquele que for contemplado na decisão judicial?, orienta. WAGNER CHEVALIER Alunos aprendem a usar o kit que faz a captação da energia solar e sua conversão em eletricidade Curso de energia solar do Senai qualifica para o futuro WAGNER CHEVALIER REPÓRTER ?É o futuro!?, garantem os profissionais que acabaram de concluir o curso de energia solar fotovoltaica off-grid no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). A procura pela qualificação em uma área promissora no País ? a produção de energia sustentável por ser limpa, renovável e de baixo custo ? é crescente no Estado. Foram 16 vagas na última turma, mas o Senai teve que ampliar para 21, por conta da demanda. A maioria dos alunos é de profissionais em busca de atualizar os conhecimentos, como o engenheiro-eletricista Luiz Alberto Lima Correia, de 38 anos. ?Matriculei-me no curso em virtude da pouca informação sobre energia solar que tive durante minha formação?, destacou. A energia produzida pode ser usada tanto por clientes residenciais quanto pela indústria que, além de economizar na conta de energia, podem vender a eletricidade excedente, gerando crédito. ?A vantagem dessa modalidade é, em primeiro lugar, ter uma energia limpa, que não polui. Além disso, você vai pagar a taxa mínima da conta de luz e vai gerar energia para si próprio. Essa taxa mínima vala para todas as áreas: industrial, residencial, predial...?, explica o instrutor da área de Eletroeletrônica do Senai/AL, André Lima. Segundo ele, apesar de o custo de instalação do sistema fotovoltaico ser considerado um pouco elevado, a energia solar se consolida uma das mais viáveis alternativas de geração de eletricidade, com retorno garantido de 3 a 4 anos. Há linhas de financiamento específicas para os interessados em adotar a geração de energia solar, com prazos generosos, disponibilizadas pelo Banco do Nordeste e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para pessoas físicas e jurídicas. O Senai está com vagas abertas para nova turma do curso de energia solar fotovoltaica off-grid, com duração de duas semanas e início previsto para 4 de dezembro. Os interessados podem acessar o site www.al.senai.br ou ligar para o (82) 3223.2200. REUTERS Submarino San Juan navegava entre o porto de Ushuaia e o Mar del Plata Marinha descarta que sinais sejam do submarino desaparecido SUBMARINO TERIA EMERGIDO E RELATADO MAU FUNCIONAMENTO, ANTES DE SUMIR G1 COM AGÊNCIAS São Paulo, SP ? O porta-voz da Marinha da Argentina, Enrique Balbi, disse na noite de ontem que o ruído detectado na zona de busca do submarino ARA San Juan não é da embarcação desaparecida. ?O ruído constante não corresponde a um submarino?, declarou. O ruído havia sido registrado por dois navios argentinos e boias especiais lançadas por um avião americano. Gravado, foi analisado por especialistas em terra. Balbi já havia alertado antes mesmo de sair o resultado que não queria alimentar ?falsas expectativas? a respeito da possibilidade de o barulho ser proveniente do ARA San Juan. SATÉLITE Mais cedo, a Marinha argentina detalhou que as sete chamadas de satélite detectadas no último sábado (18), não foram feitas pelo submarino, como se acreditava inicialmente. O ARA San Juan manteve contato com a base pela última vez na manhã de quarta-feira (15), quando estava no sul do Mar Argentino, a 432 quilômetros da costa patagônica do país. Gabriel Galeazzi, um comandante naval, disse aos repórteres que o submarino veio à tona e comunicou um problema elétrico antes de sumir. ?O submarino emergiu e relatou um mau funcionamento, e é por isso que seu comando terrestre ordenou que ele voltasse a sua base naval em Mar del Plata?, afirmou. Galeazzi disse que é normal submarinos sofrerem com o mau funcionamento dos sistemas. ?Um navio de guerra tem muitos sistemas auxiliares, para que se passe de um para outro quando há uma pane?, explicou. TEMPO RUIM As condições meteorológicas adversas ? com vento forte, temporais e ondas de até 6 metros de altura ? na região de buscas dificultam uma eventual localização visual do submarino. Treze embarcações e dez aeronaves trabalham nas buscas, que se estendem desde sexta-feira (17) e contam com ajuda internacional. Na América do Sul, os governos do Brasil, Chile, Uruguai e Peru ofereceram assistência. O Reino Unido ofereceu suporte logístico. A África do Sul também ofereceu apoio. A Marina da Argentina divulgou um vídeo que mostra um navio enfrentando temporal durante as buscar. 44 TRIPULANTES O submarino argentino San Juan, desaparecido no Atlântico Sul com 44 tripulantes, comunicou uma avaria nas baterias em seu último relatório, enviado na quarta-feira passada (15), antes que a Marinha da Argentina reportasse oficialmente seu desaparecimento. Até o momento, a informação fornecida não mencionava problemas técnicos e a hipótese oficial falava de uma falha nas comunicações. Além disso, foi esclarecido que as sete tentativas de chamadas detectadas no sábado (18) e supostamente provenientes do submarino não se originaram dessa embarcação. As sete chamadas, que fizeram aumentar as expectativas de que a embarcação seria localizada, foram detectadas com a colaboração de uma empresa americana especializada em comunicação via satélite. As buscas pelo submarino argentino San Juan, que perdeu contato com a base na quarta-feira, prosseguiram ontem. O persistente temporal que agita o mar nessa região, provocando ondas de mais de sete metros de altura, dificulta a operação de visualizar na superfície ou detectar o San Juan submerso. A zona de busca inicial era uma área de 300 km de diâmetro a 450 km da costa argentina no Golfo San Jorge, onde o submarino fez seu último contato. Mas a possibilidade de que se encontre à deriva sem propulsão e submetido a ventos de 90 km/h e fortes ondas por vários dias obrigou a ampliar por sete vezes essa área. O San Juan navegava entre o porto de Ushuaia e o Mar del Plata, a 400 km ao sul de Buenos Aires, quando perdeu qualquer contato. AP PHOTO Robert Mugabe, durante seu discurso transmitido pela televisão no domingo Partido de Mugabe vai propor censura AGÊNCIA EFE Harare, Zimbábue ? O partido do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, se reunirá hoje para propor a apresentação de uma moção de censura contra ele depois que expirou o prazo que tinham dado para renunciar, sem que o governante tenha se pronunciado. Depois de destituir Mugabe ontem da liderança do partido, a Zanu-PF estabeleceu um prazo ? que termina hoje ? para que o presidente apresente sua renúncia. No entanto, o ainda chefe de Estado, de 93 anos, não só não renunciou em discurso televisionado ontem à noite, como pediu uma ?volta à normalidade? e anunciou que presidiria o congresso da Zanu-PF de dezembro, no qual a legenda confirmará a nomeação do ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa como líder e candidato para as eleições presidenciais de 2018. Embora todas as informações indicassem que Mugabe ? que está há 37 anos no poder ? renunciaria após negociar com os militares que o mantêm retido em sua residência desde terça-feira, o presidente tentou projetar uma mensagem de normalidade e assegurou que ?leva em conta? as queixas de diferentes camadas da sociedade. O levante militar aconteceu na madrugada de terça para quarta-feira, e os analistas apontam que o estopim foi a destituição de Mnangagwa, forçada pela primeira-dama, Grace Mugabe, e os ministros que apoiavam sua ambição de se transformar na sucessora de seu marido no poder. Nesse sentido, as forças armadas negaram que se tratasse de um golpe de Estado e asseguraram que suas operações tinham como objetivo ?levar perante a Justiça os criminosos? do entorno do presidente, e detiveram vários ministros. ARQUIVO/AP Foto mostra prisão de Charles Manson em 1969 Charles Manson morre aos 83 anos nos EUA G1 São Paulo, SP ? Charles Manson, líder da seita que assassinou a atriz Sharon Tate em 1969, morreu no domingo (19), aos 83 anos, no hospital de Bakersfield, na Califórnia. Ele teria morrido por causas naturais, mas as autoridades não confirmam a informação. O criminoso, condenado à prisão perpétua, estava internado desde quarta-feira (15), quando foi levado às pressas para o centro médico, escoltado por cinco policiais. Manson, que tinha uma suástica tatuada na testa, já havia sido hospitalizado em janeiro para ser operado por lesões no intestino e uma hemorragia interna. Porém, seu estado foi considerado muito frágil para a realização do procedimento, e ele retornou à prisão ? onde passou mais de 40 anos. Manson chefiou a seita denominada ?A Família? e era um dos criminosos mais conhecidos dos Estados Unidos. Em 9 de agosto de 1969, seguindo ordens de Manson, integrantes da seita invadiram a casa de Sharon Tate, que na época era esposa do cineasta Roman Polanski e estava grávida de oito meses e meio. Ela foi morta com 16 facadas, e outros quatro amigos que a visitavam também foram esfaqueados Após o ataque, seguidores da seita espalharam pistas falsas, em uma tentativa de incriminar os Panteras Negras, grupo que lutava contra o racismo e chamava atenção na época por todo país. Os crimes comoveram os Estados Unidos, marcando simbolicamente a contracultura dos anos 1960 e o movimento hippie. Em 1971, Manson foi condenado, ao lado de quatro dos seus discípulos, por convencer jovens seguidores a assassinarem, com o máximo de crueldade?, pelo menos sete pessoas, incluindo Sharon Tate. As condenações foram comutadas para prisão perpétua. Piñera e Guillier disputam 2º turno no Chile MONICA YANAKIEW AGÊNCIA BRASIL Buenos Aires, Argentina ? O empresário Sebastián Piñera, de centro-direita, venceu o primeiro turno das eleições presidenciais do Chile ?, mas terá que disputar o segundo turno, no dia 19 de dezembro, com o senador socialista Alejandro Guillier, candidato da presidente Michelle Bachelet. O desafio para ambos será conseguir, em um mês, o apoio dos eleitores dos outros seis candidatos que ficaram fora da corrida. Piñera, de 67 anos, foi presidente do Chile de 2010 a 2014 e esperava assegurar seu segundo mandato na eleição de domingo (19) com a metade mais um dos votos. Ele obteve 37% ? menos que os 45% previstos por algumas pesquisas de opinião. Guillier, que promete aprofundar as reformas e conquistas sociais de Bachelet, ficou em segundo lugar com 23% dos votos. Mas a grande surpresa foi o bom desempenho da terceira colocada, Beatriz Sanchez. Candidata da coligação de partidos esquerdistas, formada recentemente, ela obteve 20% dos votos, quase empatando com Guillier. No discurso de agradecimento, Piñera fez um chamado aos eleitores, apelando à desilusão dos simpatizantes da coligação de centro-esquerda, que desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) elegeu todos os governos, com exceção de um: o do próprio Piñera. Este ano foi o primeiro, em 27 anos de democracia, em que a frente enfrentou uma eleição dividida.