Nacional
Lula admite que quatro�anos de governo � pouco
Barcarena ? Às vésperas de completar 100 dias de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já admite que não conseguirá executar todos os seus projetos em quatro anos. ?Estou convencido de que, em apenas quatro anos, a gente não vai conseguir fazer grandes coisas que a gente sonhava fazer, mas estou convencido de que o alicerce será feito de tal forma que a gente possa construir vários andares a partir daí?, disse o presidente, ontem, em discurso na inauguração de nova linha de produção da Alunorte, uma empresa da Vale do Rio Doce em Barcarena, nos arredores de Belém. À platéia ? de políticos, empresários e trabalhadores ?, Lula disse que o tempo é curto, por exemplo, para fazer as reformas: ?Não temos muito tempo?. Ele voltou a afirmar que se o Congresso não aprovar este ano as reformas tributária e da Previdência, elas não serão mais aprovadas em seu governo, pois em 2004 os políticos estarão concentrados nas eleições municipais e em 2005 ?estarão as eleições de 2006 na cabeça de todo mundo?. Lula aproveitou para pedir que a classe política não tenha preconceito com as reformas de um governo do PT. Garantiu que as propostas que o governo enviará ao Congresso serão resultado de um entendimento com os 27 governadores e com a maioria dos prefeitos. ?A reforma tem que ser do interesse da sociedade brasileira, e é assim que os deputados precisam senti-la quando ela chegar ao Congresso.? E insistiu: ?O Brasil não é do Lula, o Lula é que é do Brasil; o Brasil não é do PT, o PT é que é o partido do Brasil?. O presidente reconheceu que a reforma tributária em estudo não é a melhor para reestruturar o sistema tributário, mas garantiu que quer fazer mudanças justas. ?Talvez ela não seja perfeita, mas será a mais justa já feita neste país. Ela terá o princípio da Justiça social, vai pagar mais quem tem mais. E ela terá um objetivo: desonerar aqueles que investem na geração de empregos, aqueles que investem na exportação.? Ainda no discurso, ao falar sobre a economia, o presidente afirmou que ?o pior? já passou. ?Tem gente que achava que eu ia transformar o Brasil em uma Venezuela, tem gente que achava que eu ia transformar o Brasil numa Argentina. Qualquer que fosse o governo, o Brasil jamais seria uma Argentina e jamais seria uma Venezuela, porque o Brasil já deu demonstrações de sobra de que tem capacidade de se recuperar, por piores que sejam os governantes.?