Nacional
Facebook diz que foi incapaz de prever falha
Brasília, DF ? O presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, classificou a incapacidade da empresa de prevenir episódios como a atuação da empresa Cambridge Analytica e a interferência russa nas eleições dos EUA de 2016 como ?um grande erro? e pediu desculpas. Ele falou na tarde de ontem em uma audiência conjunta das comissões Judiciária e de Comércio do Senado dos Estados Unidos (EUA) sobre a responsabilidade da companhia na proteção da informação de seus usuários. O escândalo envolvendo a consultoria britânica Cambridge Analytica ganhou visibilidade após um ex-funcionário da empresa revelar aos jornais The New York Times (EUA) e The Guardian (Reino Unido), em março, que informações de dezenas de milhões de americanos foram usadas pela companhia para criar publicidade personalizada e influenciar eleições em todo o mundo, inclusive a disputa de 2016 que resultou na vitória de Donald Trump. No total, 70 milhões tiveram dados usados sem permissão. ?Está claro, agora, que nós não fizemos o suficiente para prevenir essas ferramentas [a plataforma] de serem usadas para danos. Isso vale para notícias falsas, interferências estrangeiras em eleições e discurso de ódio, bem como desenvolvedores e privacidade de dados. Nós não tomamos uma visão ampla o suficiente da nossa responsabilidade. Peço desculpas?, disse. Já a interferência russa nas eleições de 2016 mereceu uma investigação no Congresso após a revelação de relações da campanha de Donald Trump com autoridades russas e de que contas daquele país atuaram durante o pleito para apoiar o atual presidente norte-americano e atacar a então concorrente, Hillary Clinton, além de segmentos minoritários, como negros e muçulmanos. Em fevereiro, o Departamento de Justiça do país indiciou 13 russos pela campanha de desinformação. Zuckerberg apresentou as medidas adotadas pela empresa sobre o tema. Lembrou que antes da divulgação na imprensa, em março deste ano, o acesso aos dados por desenvolvedores como Alexandr Kogan havia sido drasticamente reduzido em 2014. Em 2015, Kogan foi banido e uma cobrança foi feita à Cambridge Analytica para apagar as informações repassadas. A consultoria teria confirmado não dispor mais dos registros, o que se comprovou irreal.